Empresário investigado na Operação Compliance Zero já havia sido condenado pela CVM por esquema ligado ao antigo Trump Hotel no Rio
O empresário Ricardo Siqueira Rodrigues, apontado pela Polícia Federal como operador político e captador de recursos ligados ao Banco Master no caso do Rioprevidência, também foi condenado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por participação em uma fraude milionária envolvendo o antigo hotel licenciado pela marca de Donald Trump no Rio de Janeiro.
Segundo decisão da CVM publicada em dezembro de 2024, Ricardo Siqueira e o blogueiro Paulo Figueiredo Filho foram responsabilizados por irregularidades financeiras ligadas ao empreendimento LSH Hotel, que utilizava licença associada ao nome Trump.
De acordo com o órgão regulador, os dois participaram de operações consideradas fraudulentas, incluindo a suposta inflação artificial dos valores do projeto imobiliário. A investigação aponta que o esquema teria causado prejuízos superiores a R$ 45 milhões, sendo cerca de R$ 17,7 milhões relacionados diretamente às operações analisadas pela CVM.
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Na decisão, a comissão afirmou que ambos tinham conhecimento dos mecanismos utilizados para elevar os valores do empreendimento e obter vantagens indevidas.
Enquanto Paulo Figueiredo permanece nos Estados Unidos atuando próximo ao deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, Ricardo Siqueira passou a ser citado em investigações relacionadas ao Banco Master.
Nesta terça-feira (26), o empresário foi alvo de mandado de busca e apreensão autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Segundo relatório da Polícia Federal citado na decisão judicial, Ricardo Siqueira teria atuado na intermediação política e operacional de negociações envolvendo recursos destinados ao Rioprevidência, fundo previdenciário do estado do Rio de Janeiro.
As investigações apontam ainda que ele operava por meio da empresa Mídias Promotora, registrada em nome de terceiros. Conforme a PF, a empresa teria recebido cerca de R$ 126 milhões do Banco Master entre 2022 e 2025 e seria utilizada para realizar repasses financeiros a integrantes do suposto esquema, dando aparência de legalidade às operações.
O caso faz parte da oitava fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraude envolvendo aportes bilionários do Banco Master ao Rioprevidência.
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A investigação também cita possível participação de ex-dirigentes da instituição financeira e do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, que voltou a ser alvo de mandado de busca e apreensão neste mês em outra apuração relacionada à Refinaria de Manguinhos (Refit).