Brasil – Uma mansão de luxo avaliada em cerca de R$ 12 milhões, pertencente ao banqueiro Daniel Vorcaro, entrou no radar da Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero. Com quase 2,7 mil metros quadrados, o imóvel chamou a atenção dos investigadores, que chegaram a pedir autorização para transformar o local em uma base da PF em Minas Gerais.
O pedido foi feito pela delegada Janaina Palazzo, responsável pelo caso Master, ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A intenção era instalar no imóvel o Grupo de Investigação para Repressão à Corrupção e Lavagem de Dinheiro em Minas Gerais.
Mas o plano acabou barrado pelo ministro.
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Localizada na Rua Jornalista Djalma Andrade, no bairro Belvedere, em Belo Horizonte, a residência impressionou os investigadores pelas dimensões e pela estrutura. Segundo a própria PF, o imóvel possui salas de estar, áreas de lazer, espaço gourmet com bares, academia, spa e quadras esportivas, além de móveis considerados de alto padrão.
Durante as diligências realizadas para localizar imóveis utilizados por Vorcaro e cumprir mandados de busca, os policiais também encontraram uma segunda propriedade vizinha, que estava em reforma. Funcionários dos dois imóveis teriam confirmado aos investigadores que as propriedades pertenciam ao banqueiro.
A primeira mansão é avaliada pela Prefeitura de Belo Horizonte em R$ 12,48 milhões e está registrada em nome do empresário Márcio Barbosa Silva Bissoli, morto em 2018.
Segundo o inventariante do espólio, entretanto, a propriedade foi vendida em 2022 por R$ 30 milhões para a empresa Super Empreendimentos e Participações S.A., representada por Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro.
A Polícia Federal chama atenção para o fato de que a negociação teria sido realizada por meio de contrato particular, sem escritura pública e sem registro em cartório. O documento ainda previa uma cláusula de sigilo. Para os investigadores, o negócio teria características de um chamado “contrato de gaveta”.
Já o imóvel vizinho continua registrado em nome da Cemaf Participações e Administração de Bens S/A. A empresa afirma que vendeu a propriedade em abril de 2025 por R$ 20 milhões para a Viking Participações Ltda., administrada por Vorcaro.
A Viking também aparece em outro negócio que chamou a atenção dos investigadores: um contrato de R$ 50 milhões envolvendo a participação da família do ministro Alexandre de Moraes em duas aeronaves de Vorcaro.
Ao justificar o pedido, a Polícia Federal afirmou que o grupo especial é novo e não possui atualmente um espaço físico adequado para trabalhar.
A sede da Superintendência Regional da PF em Minas Gerais está passando por uma grande reforma. O antigo prédio, construído na década de 1980, foi demolido para dar lugar a uma nova estrutura, cuja entrega está prevista para 2028.
Enquanto isso, unidades da corporação funcionam provisoriamente em dois prédios menores alugados pela Administração.
Segundo a PF, o grupo responsável por combater corrupção e lavagem de dinheiro precisa de um ambiente reservado e discreto, especialmente por atuar com análise estratégica e produção de inteligência policial.
A mansão de Vorcaro, na avaliação dos investigadores, poderia atender a essa necessidade.
Apesar de todo o luxo encontrado na residência, os policiais afirmaram que não localizaram obras de arte, joias, cofres, veículos, aparelhos eletrônicos ou dinheiro em espécie durante as diligências.
O imóvel, segundo a descrição apresentada pela PF, possui ambientes amplos e sofisticados, com estrutura voltada principalmente para lazer e uso residencial.
Foi justamente esse ponto que pesou contra o pedido da corporação.
Ao analisar a solicitação, o ministro André Mendonça decidiu não autorizar que a Polícia Federal utilizasse o imóvel como base.
O magistrado destacou que o uso de um bem apreendido por um órgão público não deve considerar apenas a utilidade imediata. Também é preciso avaliar os custos de adaptação, manutenção e a preservação do valor do patrimônio.
Para Mendonça, a mansão possui características claramente residenciais e recreativas e não seria adequada para o funcionamento normal de uma unidade policial.
O ministro também apontou que seria necessário realizar uma série de modificações no imóvel, como instalação de estações de trabalho, rede de computadores, sistemas de segurança, controle de acesso, arquivos, salas de reunião, adequações elétricas e de climatização, acessibilidade e mobiliário.
Na avaliação do relator, essas mudanças poderiam gerar despesas elevadas e até descaracterizar ou depreciar o imóvel.
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Por esse motivo, o pedido da Polícia Federal para transformar a luxuosa mansão em base de investigação acabou sendo negado.