Desaceleração veio com recuo de 0,4% no consumo das famílias. Dados foram divulgados nesta terça-feira
O Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos na economia brasileira, perdeu fôlego no segundo trimestre, com alta de 0,5% ante os três primeiros meses do ano, quando o crescimento tinha sido de 1,1%, informou nesta terça-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A freada após um primeiro trimestre forte, que já tinha acontecido ano passado, quando o crescimento ficou abaixo do verificado em 2024, foi puxada por uma queda no consumo das famílias, que ficou 0,4% abaixo dos três primeiros meses do ano, o único componente do PIB a registrar queda.
Ao analisar os primeiros dados da atividade econômica, economistas já esperam uma continuidade da desaceleração até o fim do ano. A economia brasileira deverá crescer 1,9% este ano, segundo a edição mais recente do Boletim Focus, a pesquisa semanal de projeções do Banco Central (BC), captado antes da divulgação dos dados desta terça-feira.
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CONSUMO DAS FAMÍLIAS EM QUEDA
Embora o mercado de trabalho ainda aquecido ajude a sustentar a demanda, economistas já vinham citando a perda de fôlego das medidas de estímulo que o governo Luiz Inácio Lula da Silva vinha lançando desde a virada do ano, de olho na campanha de reeleição no pleito de outubro.
E, no sentido oposto, o endividamento elevado, com juros ainda altos, levou a inadimplência a níveis recordes, ajudando a moderar tanto o apetite por consumo das famílias quanto a disposição de investir das empresas, as últimas acossadas por uma onda de planos de reestruturação para lidar com problemas financeiros.
Isso ajuda a explicar a queda de 0,4% no consumo das famílias.
Ainda pelo lado da demanda, os investimentos, medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), cresceram 1,2% ante o primeiro trimestre. Já o consumo do governo cresceu 0,4%.
No setor externo, as exportações de bens e serviços caíram 0,8%, enquanto as importações subiram 1,8% em relação ao primeiro trimestre de 2026.
NA OFERTA, AGRO SALVOU A LAVOURA
Pelo lado da oferta, o crescimento econômico foi puxado pela agropecuária, com avanço de 2,8% frente ao primeiro trimestre. Os serviços cresceram 0,2% e a indústria, 0,1%, sempre na mesma base de comparação.
Segundo o IBGE, “o desempenho positivo na Indústria se deve ao crescimento de 3,4% nas Indústrias extrativas”.
O desemprenho das commodities produzidas pela indústria extrativa garantiu a alta na indústria, porque outras atividades do setor tiveram retração: eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-1,1%), indústrias de transformação (-0,4%) e construção civil (-0,4%).
Nos serviços, segundo o IBGE, apresentaram crescimento: informação e comunicação (2,1%), transporte, armazenagem e correio (1,1%) e atividades imobiliárias (0,2%).
Houve estabilidade no comércio (0,0%) e nas outras atividades de serviços (0,0%), atividades dos serviços que são mais sensíveis à demanda das famílias.
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Recuaram os serviços de administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (-0,4%) e as atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (-0,3%).