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PL dos minerais críticos avança na Câmara e gera reação de ambientalistas e especialistas
Foto: Reprodução

Organizações apontam falta de debate público, riscos de flexibilização socioambiental e pressão sobre territórios indígenas e áreas marinhas

A Câmara dos Deputados avançou na análise do projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, proposta considerada estratégica pelo governo e pelo setor mineral por estimular a exploração de minerais essenciais para tecnologias de energia limpa, baterias elétricas e equipamentos eletrônicos. Apesar do apoio de parlamentares e empresários, o texto passou a enfrentar forte resistência de ambientalistas, pesquisadores e organizações socioambientais.


Conhecido informalmente como “PL dos minerais críticos” ou “PL das terras raras”, o projeto prevê incentivos para exploração de substâncias consideradas fundamentais para a transição energética global, como lítio, níquel, cobre, cobalto e terras raras. Esses minerais são utilizados na fabricação de carros elétricos, painéis solares, turbinas eólicas, chips e baterias de alta capacidade.


A proposta ganhou força em meio à crescente disputa internacional por acesso a recursos minerais estratégicos. Países como Estados Unidos e China ampliaram a pressão global sobre cadeias de fornecimento desses materiais, considerados essenciais para o futuro da indústria tecnológica e energética.

 

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O texto aprovado na Câmara estabelece mecanismos para acelerar investimentos no setor e criar regras específicas para projetos considerados prioritários. Um dos pontos centrais prevê a criação de um conselho responsável por analisar operações societárias e acordos ligados à exploração mineral estratégica.


Apesar disso, especialistas em meio ambiente alertam que o projeto pode abrir espaço para flexibilizações socioambientais perigosas. Organizações ambientalistas afirmam que a tramitação ocorreu sem amplo debate público e apontam preocupação com possíveis impactos sobre terras indígenas, unidades de conservação e áreas sensíveis da Amazônia e da costa brasileira.


Segundo integrantes do Observatório do Clima e outras entidades, o problema não está necessariamente na exploração dos minerais em si, mas na ausência de salvaguardas ambientais mais rígidas no texto atual. Especialistas defendem que o avanço da mineração voltada à transição energética não pode repetir modelos historicamente associados a desmatamento, conflitos fundiários e degradação ambiental.


Outro ponto criticado é a possibilidade de aumento da pressão sobre territórios indígenas e comunidades tradicionais. Ambientalistas temem que a busca por minerais estratégicos incentive novas disputas em regiões já afetadas pelo garimpo ilegal e pela exploração irregular de recursos naturais.


O setor mineral, por outro lado, defende que o Brasil possui potencial para se tornar um dos principais fornecedores globais desses recursos e argumenta que o projeto pode atrair bilhões em investimentos, gerar empregos e fortalecer a posição do país no mercado internacional de tecnologia e energia limpa.


Parlamentares favoráveis ao texto afirmam que a regulamentação ainda dependerá do Poder Executivo, que poderá estabelecer critérios ambientais e mecanismos de fiscalização mais rígidos posteriormente. Mesmo assim, organizações da sociedade civil pedem mudanças no projeto antes da votação definitiva no Senado.

 

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Com a aprovação na Câmara, o projeto segue agora para análise dos senadores. A expectativa é que o debate continue intenso nas próximas semanas, especialmente diante da pressão internacional por minerais estratégicos e das preocupações envolvendo preservação ambiental e soberania nacional.
 

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