A decisão foi tomada para impedir novos desgastes políticos com o Congresso Nacional e evitar acusações de perseguição política por parte da oposição
O Palácio do Planalto orientou ministros e integrantes do governo federal a evitarem qualquer manifestação pública sobre a operação da Polícia Federal que teve como alvo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro. A decisão foi tomada para impedir novos desgastes políticos com o Congresso Nacional e evitar acusações de perseguição política por parte da oposição.
A recomendação foi transmitida de maneira reservada a auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a deflagração da operação autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A preocupação do governo é impedir que o episódio amplie a tensão já existente entre o Planalto e parlamentares do Centrão, grupo político do qual Ciro Nogueira é um dos principais líderes no Senado.
Segundo informações divulgadas pela imprensa nacional, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão relacionados a investigações sobre supostas vantagens indevidas envolvendo o senador e o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A apuração investiga possíveis pagamentos mensais, uso de imóveis e participação societária considerada suspeita pelos investigadores.
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Nos bastidores do governo, aliados de Lula avaliam que comentários públicos de ministros poderiam alimentar discursos da oposição de que a investigação teria motivação política. O temor aumentou após a recente rejeição, no Senado, da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, episódio que provocou forte desgaste entre Executivo e Congresso.
A orientação do Planalto inclui evitar declarações à imprensa, entrevistas e até publicações em redes sociais sobre a operação. Integrantes do governo defendem que a Polícia Federal deve atuar com autonomia e sem interferência política, argumento que o próprio presidente Lula costuma utilizar em declarações públicas sobre investigações envolvendo aliados e adversários.

Foto: Reprodução
Ciro Nogueira reagiu à operação classificando as medidas como exageradas e negando qualquer irregularidade. Pessoas próximas ao senador afirmam que ele considera a investigação uma tentativa de desgaste político e que pretende colaborar com as autoridades para esclarecer os fatos. Até o momento, a defesa do parlamentar sustenta que não houve prática de crime.
O episódio também provocou movimentação intensa entre lideranças do Congresso. Parlamentares da oposição criticaram a operação e acusaram o governo de estimular investigações contra adversários políticos. Já aliados do Planalto tentaram minimizar a crise e defenderam cautela até que mais detalhes da investigação sejam oficialmente divulgados.
Nos bastidores de Brasília, a preocupação do governo é preservar votações consideradas estratégicas nas próximas semanas. O Planalto depende do apoio de partidos do Centrão para aprovar pautas econômicas e projetos prioritários no Congresso, o que explica o esforço para evitar um agravamento da tensão política neste momento.
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A operação da PF aumentou ainda mais a pressão sobre Ciro Nogueira, que já vinha sendo citado em outras investigações e disputas políticas nos últimos anos. O senador é uma das figuras mais influentes do Progressistas e mantém forte articulação entre lideranças conservadoras e partidos de centro-direita no Congresso Nacional.