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22/11/2020

Políticos, entidades e sociedade reagem a declarações de Bolsonaro sobre racismo

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Foto: Reprodução

Em postagens no Twitter e durante reunião do G20 neste sábado, presidente disse que é "daltônico: todos têm a mesma cor"

As declarações feitas pelo presidente Jair Bolsonaro durante a reunião de líderes do G-20 e em sequência de postagens no Twitter sobre o racismo, de que há um movimento político para destruir a diversidade e dividir os brasileiros e que "tensões raciais são alheias à História" do Brasil repercutiram entre entidades, políticos e na sociedade.

 

A historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz diz que fica impressionada em "como esse governo quer refundar o ' mito da democracia racial brasileira ', que já devia estar enterrado e extinto":

 

"Esse foi um modelo criado nos anos 1930 e muito estimulado durante a ditadura militar , que produziu muita cegueira cultural, política e social, pois impediu aos brasileiros que reconhecessem como o racismo faz parte e está imiscuído de forma complexa nas nossas relações estruturais e institucionais. É por isso que o governo faz propaganda mostrando crianças brancas ou recorrendo ao modelo da mestiçagem. O problema é que mestiçagem no Brasil não significa apenas mistura, uma vez que combina-a com uma tentativa de eternizar a subordinação, a hierarquia e uma política perversa de esteriótipos. Os dados oficiais mostram a existência de um genocídio negro no Brasil. Já o famoso negacionismo do presidente não é sinal de "liberdade", mas de um profundo desrespeito diante do assassinato de seus cidadãos negros", afirmou.

 

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O presidente também defendeu a ideia de que o país tem questões mais complexas do que os problemas raciais e disse que, "como homem e presidente, sou daltônico: todos têm a mesma cor".


Em fala ao G-20, Bolsonaro negou racismo no Brasil, disse que todos são iguais e que não enxerga cor de pele
As declarações feitas pelo presidente Jair Bolsonaro durante a reunião de líderes do G-20 e em sequência de postagens no Twitter sobre o racismo, de que há um movimento político para destruir a diversidade e dividir os brasileiros e que "tensões raciais são alheias à História" do Brasil repercutiram entre entidades, políticos e na sociedade.


A historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz diz que fica impressionada em "como esse governo quer refundar o ' mito da democracia racial brasileira ', que já devia estar enterrado e extinto":

 

"Esse foi um modelo criado nos anos 1930 e muito estimulado durante a ditadura militar , que produziu muita cegueira cultural, política e social, pois impediu aos brasileiros que reconhecessem como o racismo faz parte e está imiscuído de forma complexa nas nossas relações estruturais e institucionais. É por isso que o governo faz propaganda mostrando crianças brancas ou recorrendo ao modelo da mestiçagem. O problema é que mestiçagem no Brasil não significa apenas mistura, uma vez que combina-a com uma tentativa de eternizar a subordinação, a hierarquia e uma política perversa de esteriótipos. Os dados oficiais mostram a existência de um genocídio negro no Brasil. Já o famoso negacionismo do presidente não é sinal de "liberdade", mas de um profundo desrespeito diante do assassinato de seus cidadãos negros", afirmou.

 

O presidente também defendeu a ideia de que o país tem questões mais complexas do que os problemas raciais e disse que, "como homem e presidente, sou daltônico: todos têm a mesma cor".

 

O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) disse em rede social que o Brasil está "consternado com o assassinato brutal" de João Alberto Silveira Freitas, homem negro de 40 anos espancado até a morte no Carrefour, em Porto Alegre , e questionou como "um presidente do país que tem o 2º maior número de negros no mundo, agir com tanta indiferença?". Segundo Freixo, "só Bolsonaro, que saiu do lixo e pro lixo voltará, age assim".

 

Colega de Freixo no Congresso, a deputada Benedita da Silva (PT-RJ) afirmou, no Twitter, que a "falta de consciência social do Bolsonaro está destruindo o país":

 

"As questões raciais não são alheias ao nosso país, que teve o povo negro como escravo por 388 anos e, mesmo após a abolição, as desigualdades raciais continuaram".

 

O artista plástico Nuno Ramos chamou as declarações de Bolsonaro de "sequência de disparates" e destacou a importância de discutir o que foi dito e não "naturalizar e fingir que não aconteceu".

 

"Esse é o limite ético que o Brasil precisa encarar - não naturalizar, não diminuir, não fingir que não aconteceu. Nosso presidente não é apenas negacionista do clima ou dos problemas raciais - é um ativo e permanente estimulador do racismo e da destruição ambiental. Negar racismo diante do assassinato filmado de um cidadão negro, espancado "naturalmente" até a morte, com o som ao fundo da argumentação pacificadora de uma funcionária, como se a vítima merecesse a punição, não é apenas mais um disparate presidencial, mas um estímulo e uma defesa dessa barbaridade", disse.

 

Alessandro Molon, deputado federal (PSB-RJ), fez uma crítica a quem nega a existência do racismo e afirmou que "é isso que Bolsonaro faz".

 

"Negar o racismo apenas o reforça e condena o país a continuar sofrendo suas consequências nefastas. É isso que Bolsonaro faz: ajuda a perpetuar as injustiças. O oposto do que deveria fazer", publicou Molon em seu Twitter.

 

O presidente da Comissão Nacional da Verdade da Escravidão Negra do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Humberto Adami, diz que a fala de Bolsonaro demostra que ele não conhece a população do Brasil:

 

"É uma ideia tacanha, absurda. A declaração embute um racismo que vem desde a escravidão negra no Brasil", afirmou.

 

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O movimento norte-americano Vidas Negras Importam também fez no Twitter um post em apoio aos manifestantes brasileiros. "Nos levantamos pela nossa família na Nigéria, vamos fazer o mesmo pelos nossos irmãos negros no Brasil!" O grupo repostou uma série de publicações do Movimento Vidas Negras, que também prestou solidariedade aos brasileiros. 

 

Fonte: iG

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