Filha, irmão e outros parentes do ex-presidente foram citados em controvérsias que aumentaram a pressão sobre o governo em meio à crise do Ueno Bank
A queda de Santiago Peña da Presidência do Paraguai foi precedida por uma série de controvérsias envolvendo integrantes de sua família e suspeitas de conflitos de interesse relacionadas ao setor financeiro. Os episódios ganharam repercussão em meio à crise do Ueno Bank, instituição cujo colapso provocou protestos e abalou a situação política do país.
Uma das polêmicas envolveu Costanza Peña, filha do ex-presidente. Ela foi criticada nas redes sociais após aparecer usando uma camiseta com a frase “Tax The Poor” (“Taxem os pobres”, em tradução livre). A imagem provocou questionamentos sobre a postura da família presidencial diante das dificuldades econômicas enfrentadas pela população.
Outro episódio envolveu o namorado de Costanza, que integrou uma comitiva presidencial durante uma viagem à Venezuela. O nome dele, no entanto, não aparecia na lista oficial de passageiros, o que levantou questionamentos sobre sua participação na delegação.
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As controvérsias também alcançaram Francisco Peña, irmão do ex-presidente. Ele participou de uma empresa offshore registrada em Luxemburgo e ligada à estrutura societária do Ueno Bank, controlado pelo Grupo Vázquez. Francisco deixou o negócio em 2025.
Outro ponto levantado envolveu um empréstimo de 8,8 bilhões de guaranis concedido pelo banco a uma loja de roupas pertencente à nora de Santiago Peña. A operação passou a integrar os questionamentos sobre possíveis relações entre pessoas próximas ao então presidente e a instituição financeira.
A crise se agravou após o colapso do Ueno Bank, que tinha aproximadamente 2,9 milhões de clientes. O caso provocou o congelamento de recursos e levou a investigações sobre possíveis irregularidades, conflitos de interesse e falhas na fiscalização financeira. Peña também foi questionado por sua antiga ligação societária com a holding relacionada ao banco.
Em meio à pressão política, Peña anunciou sua renúncia na quinta-feira (5), mas o Senado decidiu pela destituição do então presidente na sexta-feira (6). O vice-presidente Pedro Alliana assumiu o comando do país. Após a decisão, Peña foi colocado em prisão domiciliar por determinação do Ministério Público, no âmbito das investigações relacionadas ao escândalo financeiro.
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A situação provocou manifestações de estudantes, aposentados e clientes afetados pelo fechamento do banco. Diante dos protestos nas proximidades da residência onde Peña estava, ele foi transferido para uma unidade militar em Assunção. O ex-presidente também foi chamado a prestar depoimento ao Ministério Público neste sábado (7), enquanto as autoridades dão continuidade às apurações.