Investigação afirma que empresário orientou mudança de hangar e rápida retirada da aeronave para reduzir a exposição da operação.
A Polícia Federal afirmou ter encontrado mensagens que indicam que o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, orientou uma operação de forma reservada durante um voo particular que teria transportado o senador Jaques Wagner (PT-BA). As informações constam em um relatório encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de uma investigação sobre supostas vantagens indevidas.
Segundo a PF, a conversa ocorreu em 11 de setembro de 2024 e foi localizada no celular de Vorcaro. Nas mensagens, o empresário teria determinado a mudança do hangar inicialmente previsto, solicitado que a aeronave deixasse rapidamente o local após o desembarque e orientado que o piloto sequer desligasse os motores, com o objetivo de reduzir o tempo de permanência e evitar maior exposição da operação.
De acordo com o relatório, Vorcaro acompanhou em tempo real toda a logística do voo, desde o embarque e desembarque até a movimentação da aeronave. Após ser informado de que os passageiros haviam deixado o avião, ele enviou mensagens com instruções como: "Algum que ninguém conheça", "E tira o avião rápido de lá", "de volta pra cá" e "nem apaga o motor".
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Na avaliação dos investigadores, as orientações demonstram uma tentativa de minimizar a visibilidade da operação, dificultando a identificação da aeronave e de seus ocupantes por terceiros.
A Polícia Federal sustenta que este seria o quarto episódio em que Jaques Wagner teria utilizado aeronaves ligadas ao empresário Augusto Ferreira Lima ou ao grupo Master sem registro de pagamento pelos deslocamentos. O relatório também menciona outras supostas vantagens investigadas, como a aquisição de um apartamento em Salvador, pagamentos à BN Financeira e ingressos para shows destinados a familiares do senador.
Ainda segundo a investigação, em dezembro de 2024, Augusto Ferreira Lima teria convidado Jaques Wagner para uma viagem à chamada Ilha da Paixão. Durante a conversa, conforme a PF, o senador questionou sobre a possibilidade de utilizar um helicóptero para o deslocamento e recebeu autorização do empresário.
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O caso segue sob investigação da Polícia Federal e será analisado pelo Supremo Tribunal Federal, que decidirá sobre os próximos desdobramentos do inquérito.