Imagens e monitoramentos bancários levantam suspeitas de desvio de recursos e pagamento de propina na construção do Hospital Municipal.
A Polícia Federal identificou uma série de saques em dinheiro vivo considerados atípicos durante a investigação que apura supostas irregularidades na construção do Hospital Geral Municipal de Macapá, no Amapá. As apurações indicam que um motorista utilizava um veículo ligado ao prefeito da capital, Antônio Furlan, conhecido como Dr. Furlan (MDB), para se deslocar até agências bancárias e realizar retiradas de altos valores em espécie.
As informações constam na Operação Paroxismo, que investiga possíveis fraudes em licitações, desvio de recursos públicos e pagamento de propinas relacionados à obra do hospital. Dr. Furlan foi alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela PF em 3 de setembro de 2025, assim como a secretária municipal de Saúde e empresários do setor da construção civil.
Segundo documentos obtidos, a Polícia Federal reuniu indícios de um esquema criminoso envolvendo agentes públicos e empresários, com o objetivo de direcionar a licitação do hospital e desviar verbas durante a execução do projeto de engenharia e das obras. O contrato da construção foi firmado em maio de 2024, no valor de R$ 69,3 milhões, com recursos provenientes de emendas parlamentares.
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De acordo com a Prefeitura de Macapá, parte do financiamento veio de emendas das ex-deputadas Leda Sadala (PP) e Aline Gurgel (Republicanos) e do senador Lucas Barreto (PSD), destinadas à maternidade, além de recursos indicados pelo deputado Vinícius Gurgel (PL) para o hospital. Os parlamentares não são investigados.

Imagens de câmeras de segurança analisadas pela PF mostram que, em 23 de maio de 2025, o empresário Rodrigo de Queiroz Moreira, sócio da Santa Rita Engenharia LTDA empresa sob suspeita de participação no direcionamento da licitação entrou em uma agência bancária e sacou R$ 400 mil em dinheiro. Cerca de dez minutos depois, ele se dirigiu ao Laboratório Dr. Paulo Albuquerque, em Macapá, pertencente ao ex-senador Paulo José de Brito Silva Albuquerque, suplente do senador Lucas Barreto.
Para os investigadores, a parada do veículo no laboratório “pode indicar a entrega de valores”, hipótese considerada relevante dentro da apuração. A PF ressalta, no entanto, que o senador Lucas Barreto não é citado na representação policial nem figura como investigado. Além disso, os recursos de suas emendas ainda não teriam sido efetivamente utilizados nas obras do hospital.

Em outro monitoramento, realizado em 18 de junho de 2024, a PF flagrou novos saques em espécie. Na ocasião, Rodrigo de Queiroz Moreira teria retirado R$ 130 mil, enquanto Fabrizio de Almeida Gonçalves, também sócio da Santa Rita Engenharia, sacou R$ 260 mil. Um dos investigados estava dirigindo um veículo vinculado ao prefeito Dr. Furlan.
A investigação também identificou Jerqueson da Costa Rodrigues, funcionário que atua na residência do prefeito, realizando saques bancários considerados suspeitos. Para a Polícia Federal, há indícios de que Jerqueson agia sob ordens diretas do chefe do Executivo municipal. “É possível inferir que Jerqueson desempenha atividades cotidianas sob ordens diretas do prefeito, inclusive ações que, à luz dos elementos apurados, podem revestir-se de caráter suspeito”, aponta o relatório.

Foto: Reprodução
Com base nesses elementos, a PF chegou a solicitar à Justiça o afastamento de Dr. Furlan do cargo de prefeito, pedido que acabou sendo negado.
A apuração também indica que apenas um dos investigados movimentou cerca de R$ 9 milhões em dinheiro vivo durante o período analisado, valor que, segundo a PF, teria origem no esquema criminoso. O grupo investigado teria utilizado mecanismos de dissimulação patrimonial, como a entrega física de grandes quantias em espécie e movimentações bancárias fragmentadas, para ocultar a origem ilícita dos recursos.
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Procurou as defesas do prefeito Dr. Furlan, da Prefeitura de Macapá, do empresário Rodrigo de Queiroz Moreira, da Santa Rita Engenharia, do ex-senador Paulo Albuquerque e de Jerqueson da Costa Rodrigues, mas não obteve resposta até o momento. O espaço permanece aberto para manifestações, e a reportagem será atualizada caso haja posicionamento das partes citadas.