Investigação teve origem em relatórios do Coaf e busca esclarecer operações consideradas atípicas, sem que haja acusação formal contra a influenciadora.
A influenciadora digital e empresária Virginia Fonseca passou a ser investigada pela Polícia Federal após relatórios de inteligência financeira apontarem movimentações consideradas atípicas em operações envolvendo empresas ligadas ao seu grupo empresarial. Até o momento, ela não foi denunciada nem responde formalmente a acusações criminais.
A apuração teve início a partir de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) elaborados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Esses documentos são produzidos com base em comunicações feitas por instituições financeiras quando identificam operações fora do padrão habitual, servindo como instrumento de monitoramento e análise para autoridades competentes.
Entre os focos da investigação está a Talismã Digital, empresa administrada por Virginia e pelo cantor Zé Felipe. Segundo informações presentes nos relatórios analisados, a companhia recebeu milhões de reais em transferências durante um período de poucos meses, o que despertou atenção dos órgãos de controle financeiro.
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Parte dessas movimentações teria sido realizada por uma empresa enquadrada no regime tributário do Simples Nacional, circunstância que levou os investigadores a aprofundarem a análise sobre a com patibilidade entre o volume financeiro movimentado e a estrutura declarada da companhia responsável pelos repasses.
Outro eixo da investigação envolve a Wepink, marca de cosméticos da qual Virginia é sócia. O crescimento acelerado da empresa e a trajetória empresarial de alguns de seus parceiros comerciais passaram a ser examinados pelas autoridades para verificar possíveis conexões financeiras que possam ter relevância para o caso.
O nome da influenciadora também ganhou destaque anteriormente durante os trabalhos da CPI das Bets, comissão instalada no Senado para investigar o mercado de apostas esportivas e a participação de influenciadores em campanhas publicitárias do setor. Na ocasião, foram solicitadas análises financeiras relacionadas às suas movimentações patrimoniais.
Virginia prestou depoimento à comissão e negou qualquer benefício obtido com perdas de apostadores. Apesar de ter sido mencionada em propostas de indiciamento apresentadas durante os trabalhos da CPI, o relatório final acabou rejeitado, encerrando a comissão sem medidas concretas contra a influenciadora.
Por meio de seus representantes legais, Virginia afirma que todas as operações financeiras possuem respaldo documental e que suas atividades empresariais seguem a legislação vigente. A defesa sustenta que não houve prática ilícita e afirma que colaborará com eventuais esclarecimentos solicitados pelas autoridades.
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A investigação permanece em andamento e tem como objetivo verificar a regularidade das operações analisadas, sem que isso represente, até o momento, comprovação de irregularidades ou responsabilização da influenciadora.