Mensagens, áudios e fotos revelam esquema de distribuição de dinheiro, cestas básicas e transporte de eleitores para eleger Dr. Furlan em 2020.
A Polícia Federal concluiu o inquérito que investigou um esquema de compra de votos durante as eleições municipais de 2020 em Macapá (AP) e o Ministério Público Eleitoral denunciou 14 pessoas, entre elas o atual prefeito Dr. Furlan (MDB) e seu irmão, João Furlan, promotor de Justiça afastado pelo CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público).
De acordo com as investigações, mensagens, áudios e fotos obtidos pelas autoridades revelam a atuação de João Furlan na coordenação do esquema, que incluía envio de dinheiro, distribuição de cestas básicas e transporte de eleitores no dia da votação. Gleison Fonseca da Silva, motorista responsável por entregar os valores e organizar o transporte, foi detido durante o segundo turno, quando foi flagrado repassando dinheiro a eleitores. Seu celular foi apreendido e, após perícia autorizada em fevereiro de 2021, forneceu informações cruciais para o inquérito.
Nas conversas obtidas pela PF, o promotor instruía Gleison sobre a entrega de cestas básicas e transferências de dinheiro, enquanto Dr. Furlan autorizava os pagamentos e acompanhava as operações pessoalmente. Foram identificados ao menos 50 comprovantes de transferências de valores que variavam de R$ 20 a R$ 3.000, realizados pelo promotor. Além disso, ele também auxiliava na elaboração de postagens nas redes sociais da campanha e respostas à imprensa.
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A denúncia do MP Eleitoral afirma que os investigados integraram uma organização criminosa destinada a corromper o processo eleitoral, prática caracterizada como compra de votos e transporte ilícito de eleitores. O órgão ressaltou que essas ações tiveram como objetivo eleger o então candidato a prefeito Dr. Furlan, que venceu o pleito no segundo turno com 55,67% dos votos válidos, derrotando Josiel Alcolumbre (União).
Em 13 de janeiro, o CNMP determinou o afastamento por 60 dias de João Furlan de suas funções no Ministério Público, alegando “conduta incompatível com o exercício do cargo” e atos que configuram improbidade administrativa. O promotor afirmou ter sido surpreendido com a decisão e declarou que recorrerá para reverter a medida, considerando-a “arbitrária e juridicamente insustentável”.
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O prefeito Dr. Furlan negou qualquer ilegalidade e contestou a existência de organização criminosa, criticando o vazamento de documentos que tramitam sob segredo de justiça. O MPAP, MP Eleitoral e CNMP não se pronunciaram publicamente devido ao sigilo do processo.