Investigação cita comentário feito pelo cantor em publicação de Diego Possebon; defesa afirma que relação profissional do artista com a família se limitava à venda de shows
A investigação da Polícia Federal sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado à comercialização ilegal de cassiterita identificou uma interação entre o cantor Alexandre Pires e Diego Possebon, apontado pelos investigadores como líder da organização criminosa.
Segundo documentos obtidos pela imprensa, em 12 de abril de 2023, Alexandre Pires deixou emojis de palmas em uma publicação feita por Diego Possebon nas redes sociais. Na fotografia, aparecem Alexandre Martins, sócio da empresa Energisom e também investigado no caso, além de integrantes da família Possebon.
O registro teria sido feito no estádio Santiago Bernabéu, em Madri, na Espanha.
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A interação passou a integrar os elementos analisados pela PF no âmbito da Operação Disco de Ouro, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e irregularidades relacionadas à comercialização e exportação de minérios. Na segunda fase da operação, deflagrada na quarta-feira (23), foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão e determinadas 17 medidas de sequestro de bens e valores. A investigação aponta movimentação superior a US$ 48 milhões, cerca de R$ 246 milhões.
Alexandre Pires foi alvo de buscas em duas fases da operação. A primeira ocorreu em dezembro de 2023, enquanto a segunda foi realizada nesta semana.
De acordo com os documentos citados na investigação, o cantor teria recebido mais de R$ 31 milhões de empresas relacionadas ao esquema. Desse montante, R$ 26,6 milhões teriam sido repassados pela Metalsur, empresa que, segundo a PF, recebeu US$ 20,4 milhões da companhia suíça Gerald Metals Sarl por um carregamento de cassiterita que não teria sido entregue. No lugar do minério, a empresa estrangeira teria recebido um carregamento de brita.
A apuração também aponta outros R$ 4,4 milhões transferidos ao artista, valores que teriam sido identificados por meio de informações apresentadas por colaboradoras à Polícia Federal.
A investigação da PF aponta Diego Possebon como um dos principais nomes do esquema. Segundo a corporação, ele teria atuado na intermediação da compra de minérios extraídos ilegalmente da Terra Indígena Yanomami com empresas envolvidas na cadeia de comercialização.
Apesar das informações reunidas pelos investigadores, a defesa de Alexandre Pires nega que o cantor tenha mantido qualquer relação com atividades ilícitas.
Em manifestação após a nova fase da operação, os advogados afirmaram que a relação profissional do artista com Matheus Possebon, irmão de Diego, era exclusivamente ligada à intermediação da venda de shows.
“Não houve qualquer outra relação jurídica ou comercial entre Alexandre Pires e Matheus Possebon além daquela diretamente ligada à atividade artística do cantor”, declarou a defesa.
A assessoria de imprensa de Alexandre Pires também foi procurada, mas não havia apresentado manifestação até a publicação da reportagem. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.
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A Operação Disco de Ouro continua em andamento e busca esclarecer a origem e o destino dos recursos movimentados pelas empresas investigadas, além de identificar a participação individual dos envolvidos.