Investigação aponta rede com atuação transnacional e uso de avião e navios para enviar drogas do Brasil à Europa.
A Polícia Federal (PF) identificou que uma apreensão de cerca de 500 kg de cocaína em um avião bimotor no interior de São Paulo teria interrompido uma rota internacional de tráfico comandada por um dos criminosos mais procurados do mundo, o sérvio Antun Mrdeza, também conhecido como Nikolas Boro.
Segundo a investigação, o esquema fazia parte de uma operação maior voltada ao envio de drogas para a Espanha, com participação de traficantes brasileiros e possíveis ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Mrdeza está na lista de difusão vermelha da Interpol e não foi localizado durante a operação mais recente, batizada de Narco Sky.
A PF aponta que a carga apreendida em 2020, em Fernandópolis (SP), teria sido transportada por um avião que saiu do Pará, passou por Mato Grosso e foi interceptado pela Força Aérea Brasileira (FAB) antes de pousar. Dois homens foram presos na ocasião.
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As investigações indicam que o entorpecente seria parte de uma cadeia logística que envolvia transporte aéreo até o interior do Brasil e posterior envio por via marítima para a Europa, em navios mercantes e veleiros adaptados para ocultação da droga.
A conexão com o grupo internacional foi identificada a partir de mensagens interceptadas em sistemas de comunicação criptografada, que revelaram articulações entre operadores brasileiros e estrangeiros para o envio de grandes remessas de cocaína.
De acordo com a PF, o esquema envolvia diferentes funções dentro da organização criminosa, incluindo coordenação logística, financiamento, transporte e ocultação da droga em embarcações, com uso de equipamentos como GPS e compartimentos refrigerados para dificultar a fiscalização.
Entre os investigados citados pela operação estão ainda o espanhol Alejandro Salgado Vega e o brasileiro Marco Aurélio de Souza, apontado como elo entre os fornecedores estrangeiros e a estrutura operacional no Brasil.
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A PF afirma que o grupo operava como uma rede transnacional, com divisão de tarefas entre operadores no Brasil e no exterior, e uso de múltiplos meios de transporte para tentar driblar a fiscalização e garantir o envio da droga ao mercado europeu.