Investigação aponta que loja teria sido usada para ocultar recursos de esquema envolvendo falsos investimentos em energia solar
A Polícia Federal prendeu o empresário Victor Infante Aielo, proprietário da concessionária de luxo Aielo Motors, sob suspeita de atuar como um dos principais operadores de lavagem de dinheiro de uma organização criminosa que teria movimentado cerca de R$ 165 milhões em fraudes financeiras.
A prisão preventiva foi decretada pela 14ª Vara Federal do Rio Grande do Norte e cumprida em São Paulo, durante a segunda fase da Operação Pleonexia. A Justiça também determinou o bloqueio de bens do empresário, incluindo dinheiro, investimentos, imóveis, criptoativos, previdência privada e veículos de luxo adquiridos pela loja a partir de outubro de 2024.
De acordo com as investigações, a concessionária teria recebido cerca de R$ 15 milhões de pessoas e empresas ligadas a golpes que prometiam altos rendimentos com supostos investimentos em usinas de energia solar. O esquema foi identificado no âmbito de apurações envolvendo a empresa Alpha Energy Capital, sediada em Natal (RN).
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Segundo a PF, a empresa atraía investidores com a promessa de retorno mensal de aproximadamente 5% acima da média de mercado alegando que os recursos seriam aplicados na construção de usinas solares. No entanto, a companhia não possuía autorização para captar investimentos e não teria aplicado os valores conforme prometido.
A corporação estima que cerca de 6,3 mil investidores tenham sido lesados. Enquanto a produção de energia ocorria em escala mínima, apenas para manter aparência de legalidade, os líderes do esquema ostentavam patrimônio com a compra de carros de luxo, imóveis, joias, relógios e criptomoedas.
LAVAGEM POR MEIO DA VENDA DE CARROS
Segundo a PF, a Aielo Motors teria atuado como “principal braço de blindagem patrimonial e lavagem de capitais” do grupo criminoso desde outubro de 2024. A estratégia consistiria em misturar recursos ilícitos com vendas legítimas de veículos de alto padrão, dificultando o rastreamento do dinheiro.
A investigação aponta ainda o uso de contas bancárias e bens registrados em nome de parentes e “laranjas”. Durante a operação, foram apreendidos R$ 9,6 mil em espécie e um iPhone 17 Pro Max que estavam com o empresário.
LIGAÇÃO COM CASO DO “CARECA DO INSS”
Victor Aielo e sua empresa já haviam sido alvo da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes milionárias contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Na ocasião, a PF apurou a compra de 21 veículos de luxo, avaliados em mais de R$ 11,1 milhões, pelo lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Segundo a corporação, as transações teriam integrado um esquema de ocultação patrimonial.
Para os investigadores, a atuação do empresário “transcende a mera relação comercial”, indicando possível liderança no núcleo de lavagem do grupo. A Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 244 milhões de cada investigado, com o objetivo de interromper o fluxo financeiro do esquema e garantir eventual ressarcimento às vítimas.
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A defesa de Victor Aielo e a equipe da Aielo Motors foram procuradas, mas não se manifestaram até a publicação da reportagem.