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Polícia Federal suspeita de lavagem de dinheiro em compra de joias ligada a amiga de Lulinha
Foto: Divulgação

Investigação aponta transações de quase R$ 475 mil em artigos de luxo e transferências milionárias que podem ter sido usadas para ocultar a origem de recursos

A Polícia Federal suspeita que a empresária Roberta Luchsinger tenha utilizado a compra de joias avaliadas em R$ 474,5 mil para lavar dinheiro. A informação consta em documentos obtidos pela coluna e integra uma linha de investigação que também envolve Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”.

 

Segundo a PF, a empresária é apontada como possível elo entre Lulinha e o lobista. As suspeitas surgiram após a identificação de transferências feitas pela empresa RL Consultoria e Intermediações Eireli, da qual Roberta é sócia, para a empresa Jival Comércio de Joias. As movimentações financeiras teriam sido fracionadas, prática que, de acordo com os investigadores, pode indicar tentativa de ocultar a origem dos recursos.

 

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostram que a RL Consultoria recebeu cerca de R$ 18,2 milhões. Desse montante, aproximadamente R$ 1,1 milhão teria sido transferido pela empresa Brasília Consultoria Empresarial, ligada ao lobista conhecido como Careca do INSS. Parte dos valores, segundo a investigação, teria sido convertida posteriormente em bens de luxo.

 

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Os documentos também apontam transferências para a própria Roberta e para seu pai, Roberto Pedro Paulo Luchsinger, que já foi sócio da empresária. Além disso, cerca de R$ 1,9 milhão foi destinado à empresa Ski Brasil Viagens e Turismo.

 

Em relatório, a Polícia Federal destacou que movimentações envolvendo a Jival Comércio de Joias, no valor de R$ 474.554, e a Ski Brasil Viagens e Turismo, que somam R$ 1.962.215,03, podem indicar possível lavagem de dinheiro por meio da compra de artigos de luxo e serviços de turismo.

 

A defesa de Roberta Luchsinger afirmou, em nota, que todas as joias foram adquiridas de forma regular, com emissão de notas fiscais e certificação de autenticidade. O advogado Bruno Salles declarou que não há fundamento para suspeitas de lavagem de dinheiro, já que as compras foram feitas por meio de transferências bancárias formais e os itens seriam de uso pessoal.

 

A empresária, Lulinha e o lobista são investigados na Operação Sem Desconto, que apura um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

 

De acordo com a investigação, Roberta teria atuado como intermediária entre o lobista e Lulinha. Informações levantadas pela coluna também indicam que a empresária e o Careca do INSS tentaram atuar junto ao Ministério da Saúde em defesa de interesses de uma empresa de tecnologia e da companhia World Cannabis.

 

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Neta do ex-banqueiro suíço Peter Paul Arnold Luchsinger, Roberta ganhou notoriedade ao anunciar a intenção de doar R$ 500 mil ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando ele teve contas bloqueadas durante a Operação Lava Jato.
 

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