Morumbis, estádio do São Paulo- Foto: Marcos Ribolli
A Polícia Civil de São Paulo realizou, na manhã desta quarta-feira (21), uma operação para investigar um esquema de venda ilegal de camarotes no estádio Morumbis. Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados.
Entre os alvos da ação estão Douglas Schwartzmann, diretor-adjunto das categorias de base do São Paulo Futebol Clube, e Mara Casares, ex-esposa de Julio Casares, presidente afastado do clube, que atuava como diretora feminina, cultural e de eventos. Também é investigada Rita Adriana, apontada pela polícia como responsável pela negociação irregular dos camarotes.
Em nota oficial, o São Paulo informou que se considera vítima no caso e afirmou que irá colaborar integralmente com as autoridades durante as investigações. Os investigados pediram licença de seus cargos. As defesas negam as acusações e alegam que áudios divulgados pelo portal ge, nos quais Douglas Schwartzmann menciona a divisão de lucros do esquema, teriam sido retirados de contexto.
Veja também

PRF intercepta carregamento de armas com destino ao Complexo do Alemão na BR-116
Golpe dos celulares: polícia desmonta esquema que vendia aparelhos roubados com notas fiscais frias
Durante as diligências, a polícia não localizou Rita Adriana em sua residência. No local, no entanto, foram encontradas anotações consideradas relevantes para a investigação. Já na casa de Mara Casares, os agentes apreenderam R$ 20 mil em dinheiro, além de documentos e uma CPU. No endereço de Douglas Schwartzmann, os policiais constataram que o investigado está em viagem ao exterior; os trabalhos de busca seguem em andamento.
A operação ocorre em meio a uma grave crise institucional vivida pelo São Paulo Futebol Clube. O clube enfrenta investigações da Polícia Civil, sucessivos escândalos internos e o afastamento de Julio Casares do cargo de presidente, após aprovação de um processo de impeachment no Conselho Deliberativo.
Paralelamente, a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar possíveis crimes relacionados à gestão do clube. Julio Casares poderá responder por associação criminosa, furto qualificado e apropriação indébita, embora o SPFC seja tratado formalmente como vítima.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/3/t/36Jy5jRYifIV93Ah9CFQ/captura-de-tela-2026-01-12-141255.png)
Julio Casares, presidente do São Paulo Futebol Clube. Foto: (Reprodução)
Segundo a investigação, entre 2021 e 2025, foram realizados saques em dinheiro vivo que somam cerca de R$ 11 milhões das contas do clube. Inicialmente, os saques eram feitos por funcionários do São Paulo, mas posteriormente passaram a ser realizados por uma empresa de transporte de valores. O destino dos recursos ainda não foi esclarecido.
No mesmo período, de acordo com a polícia, houve depósitos em espécie na conta pessoal de Julio Casares que totalizam aproximadamente R$ 1,5 milhão. A defesa do dirigente nega qualquer relação entre os saques do clube e os valores depositados, argumentando que Casares atuava como publicitário antes de assumir a presidência e recebia parte de sua remuneração em dinheiro vivo.
O advogado do São Paulo, Pedro Iokoi, justificou os saques afirmando que determinadas despesas do futebol exigem pagamento em espécie, como arbitragem e premiações a jogadores. Na tentativa de esclarecer os fatos, o clube contratou peritos para reunir notas fiscais e comprovar a destinação dos valores.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
A crise institucional se agrava em uma temporada sem títulos e marcada por outros episódios polêmicos. Em 2025, ao menos dois atletas do elenco receberam aplicações de canetas emagrecedoras adquiridas de um vendedor sem autorização da Anvisa. O responsável pelo procedimento, o nutrólogo Eduardo Rauen, teve o contrato rescindido pelo clube.