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Poluição plástica ameaça pardelas-pretas em ilha da Austrália: 'Você consegue ouvir os fragmentos no estômago'
Foto: Reprodução

Pesquisadores encontram quase 800 pedaços de plástico em filhote e alertam para a rápida deterioração da saúde das aves marinhas

Cientistas do grupo de pesquisa oceânica Adrift Lab visitam a Ilha Lord Howe, a 600 quilômetros da Austrália, há quase duas décadas para monitorar a contaminação por plástico e a exposição das aves marinhas a esse poluente. A ilha, que abriga poucas centenas de pessoas, é um importante local de reprodução das pardelas-pretas, aves com plumagem quase totalmente escura. No entanto, os resultados da análise mais recente revelaram uma situação alarmante.

 

Em um único filhote, os pesquisadores encontraram 778 pedaços de plástico — quase o dobro do recorde anterior, que era de 403. Para Jennifer Lavers, bióloga marinha e coordenadora do grupo, algo incomum está acontecendo.

 

— Ficamos todos sem palavras. A poluição plástica está aumentando, mas isso explica uma duplicação em 12 meses? Com certeza não. Então, tem outra coisa acontecendo — afirmou Jennifer à CNN.

 

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A população global das pardelas-pretas caiu 70% nos últimos 50 anos. Elas enfrentam várias ameaças, mas a poluição plástica é o fator que mais impacta sua sobrevivência. Segundo Richard Phillips, ecologista de aves marinhas do British Antarctic Survey, os efeitos da poluição são difíceis de detectar, o que torna o problema ainda mais grave.

 

Os pesquisadores escolhem a Ilha Lord Howe para o estudo porque as aves costumam se reproduzir na mesma colônia. As visitas ao local acontecem entre abril e maio, quando os filhotes deixam a toca pela primeira vez e se preparam para migrar rumo ao Mar do Japão. Acredita-se que os fragmentos de plástico cheguem ao estômago deles acidentalmente, via alimentação dos pais.

 

A Ilha Lord Howe — Foto: Reprodução

A Ilha Lord Howe

(Foto: Reprodução)

 

A Ilha Lord Howe funciona como um verdadeiro laboratório a céu aberto para o estudo dessas aves. Lá, os cientistas realizam lavagens estomacais com tubos de alimentação que introduzem água no estômago das aves e as induz a vomitar o plástico ingerido. O procedimento, apesar de desagradável, é essencial para evitar bloqueios intestinais e inanição.

 

— É simplesmente fantástico saber que aquela ave está iniciando sua migração sem uma enorme carga de plástico no organismo — comenta Alix de Jersey, pesquisadora da Universidade da Tasmânia.

 

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Entre os fragmentos, muitos eram irreconhecíveis, mas tampas de garrafa, espaçadores de azulejos e talheres plásticos também foram encontrados, segundo Alix. Esses objetos se acumulam no organismo das aves e podem formar blocos que, em alguns casos, são audíveis.

 

— Você consegue ouvir o estalo das tampas de garrafa e dos fragmentos se movendo uns contra os outros — relata Lavers.

 

Os microplásticos transitam pelo sistema digestivo e liberam substâncias químicas tóxicas, enquanto os pedaços maiores podem perfurar o estômago das aves. A equipe identificou ainda que a ingestão dos fragmentos pode causar danos cerebrais semelhantes à demência nos filhotes.

 

As pardelas-pretas são mais vulneráveis porque só regurgitam para alimentar os filhotes. Em dez anos, a equipe observou um declínio na massa corporal, no comprimento das asas e em outras medidas físicas das aves. Antes os filhotes pesavam cerca de um quilo e hoje mal chegam a 800 gramas.

 

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A poluição plástica nos oceanos é enorme: estima-se que 15 milhões de toneladas de resíduos entrem no mar a cada ano, o equivalente a dois caminhões de lixo despejados no oceano por minuto, conforme dados da Oceana, organização não governamental sediada em Washington D.C.

 

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— É uma crise, e está piorando rapidamente — afirma Jennifer Lavers, visivelmente abalada com os resultados recentes. — Eu não tenho palavras. Não sei como explicar o que estou vendo.

 

Fonte: Extra

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