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Polvos gigantes de até 19 metros caçavam répteis marinhos há 100 milhões de anos
Foto: Reprodução

Mandíbulas fossilizadas com marcas de desgaste revelaram que invertebrados de corpo mole ocupavam o topo da cadeia alimentar nos oceanos do período Cretáceo, ao lado dos maiores répteis marinhos da época

Um dos maiores predadores dos oceanos de 100 milhões de anos atrás não tinha espinha dorsal, não tinha dentes, e quase não deixou rastros fósseis. Ele era um polvo. A conclusão vem de um estudo publicado na quinta-feira (23) na revista "Science".

 

Pesquisadores analisaram mandíbulas fossilizadas de polvos com nadadeiras que viveram entre 100 e 72 milhões de anos atrás e identificaram duas espécies capazes de crescer até 19 metros — tamanho comparável ao dos mosassauros, os grandes répteis marinhos que até então eram considerados os senhores daqueles oceanos.

 

Os achados sugerem que esses invertebrados não eram presas: eram caçadores, e disputavam o topo da cadeia alimentar com os maiores vertebrados do período.

 

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Como polvos não têm esqueleto, não têm concha, e quase não deixam rastros no registro fóssil, o que sobrevive, em raros casos, é o bico: uma mandíbula resistente, semelhante ao bico de um papagaio, que esses animais usam para partir e triturar presas.

 

Foi nessas estruturas que Shin Ikegami, pesquisador da Universidade de Hokkaido, no Japão, e seus colegas encontraram as pistas que mudam essa história cheia de tentáculos.

 

A equipe analisou 15 grandes mandíbulas fósseis de parentes ancestrais dos polvos já conhecidas pela ciência e, usando técnicas digitais de mineração de fósseis, localizou mais 12 exemplares inéditos em sedimentos do Cretáceo tardio.

 

A análise identificou duas espécies com nadadeiras: Nanaimoteuthis jeletzkyi e N. haggarti.

 

O estado das mandíbulas revelou como esses animais se alimentavam. Nos espécimes jovens, as bordas são afiadas. Nos maiores e mais velhos, aparecem arredondadas e desgastadas pelo uso contínuo.

 

Esse padrão é semelhante ao observado em cefalópodes (qualquer membro da classe de moluscos Cephalopoda, como a lula) atuais que trituram conchas e ossos com o bico — animais que passam a vida inteira pressionando suas mandíbulas contra presas duras.

 

Os polvos gigantes do Cretáceo faziam o mesmo.

 

A maior das duas espécies, a N. haggarti, atingia entre 7 e 19 metros de comprimento.

 

Os autores a descrevem como possivelmente o maior invertebrado já descrito pela ciência — em tamanho, equiparável aos grandes répteis marinhos que cruzavam os mesmos mares.


Já a N. jeletzkyi, menor, também apresentava os mesmos padrões de desgaste nas mandíbulas, o que indica que as duas espécies partilhavam o mesmo estilo de caça.

 

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Fora isso, além de esmagar presas com o bico, os pesquisadores sugerem que esses animais usavam os longos braços flexíveis para imobilizar e desmontar presas de porte considerável — um comportamento que, entre os cefalópodes, está associado a formas avançadas de inteligência. 

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