O g1 analisou o comportamento do dólar e do Ibovespa desde 1994 para mostrar como eleições e crises políticas mexeram com os mercados. Especialistas explicam o que está por trás das oscilações e como investir em períodos de maior volatilidade.
As eleições presidenciais costumam provocar fortes movimentos no mercado financeiro porque investidores tentam antecipar como o próximo governo poderá conduzir a economia. Desde o início de 2026, pesquisas eleitorais, declarações de candidatos e mudanças nas expectativas já vinham influenciando o dólar, a Bolsa e os juros. Após o primeiro turno, realizado em 4 de outubro, essa reação ficou ainda mais evidente.
No primeiro pregão depois da votação, o dólar caiu mais de 4% e fechou próximo de R$ 5, enquanto o Ibovespa disparou 7,85%, ultrapassando pela primeira vez os 200 mil pontos. A reação refletiu principalmente a mudança na percepção de risco dos investidores diante do resultado das urnas. Nos dias seguintes, porém, parte desse movimento foi ajustada, mostrando que os mercados continuam sujeitos a fatores políticos e econômicos.
Um dos principais pontos observados pelos investidores é a situação das contas públicas. O mercado tenta estimar se o próximo governo terá capacidade de controlar gastos, administrar a dívida e manter uma trajetória considerada sustentável para as finanças do país. Essas expectativas influenciam diretamente os juros e também o valor dos ativos brasileiros, já que um cenário de maior risco tende a exigir uma remuneração maior dos investimentos.
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A Bolsa também reage porque os investidores tentam calcular como as futuras políticas econômicas podem afetar os lucros das empresas. Mudanças esperadas em impostos, gastos públicos, juros, crédito e regras para determinados setores podem alterar as perspectivas para companhias de bancos, varejo, construção, indústria e outros segmentos. Já o dólar responde, entre outros fatores, à percepção de risco e ao fluxo de recursos estrangeiros que entram ou saem do Brasil.
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Por isso, uma alta da Bolsa ou uma queda do dólar depois de uma pesquisa ou de uma eleição não significa necessariamente que o movimento será permanente. Os preços refletem expectativas que podem mudar rapidamente conforme novas pesquisas, declarações dos candidatos, decisões econômicas e acontecimentos internacionais. Para o mercado, portanto, a eleição não representa apenas a escolha de um presidente, mas também uma tentativa de antecipar os rumos da economia brasileira nos próximos anos.