Durante um processo infeccioso, o organismo ativa uma resposta de defesa que pode afetar diretamente o funcionamento do coração.
Resfriados, gripes, viroses intestinais, COVID-19 e dengue são apenas algumas das infecções causadas por vírus, que entram no organismo, se multiplicam e ativam uma resposta do sistema imunológico — que é importante para combater os microorganismos.
No entanto, o processo também pode trazer efeitos colaterais importantes para o coração. Você sabia que uma infecção viral pode aumentar o risco de infarto?
Isso ocorre porque, durante a infecção, o corpo entra em um estado inflamatório intenso. O sistema imune libera substâncias chamadas citocinas, que ajudam a combater o vírus, mas ao mesmo tempo causam um estresse significativo para o organismo, especialmente em pessoas com doenças crônicas, idosos ou pessoas com problemas cardiovasculares.
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COMO A INFECÇÃO VIRAL AFETA O CORAÇÃO?

De acordo com a cardiologista Juliana Soares, durante um processo infeccioso, o organismo ativa uma resposta de defesa que, por diferentes mecanismos, pode afetar o funcionamento do coração.
Um dos primeiros efeitos é o aumento da demanda metabólica: a febre e a própria infecção aceleram o metabolismo, fazendo com que o coração precisem bater mais rápido e com mais força para atender ao maior consumo de oxigênio do corpo.
Quando a pessoa já apresenta algum grau de entupimento nas artérias, o esforço adicional pode reduzir o fluxo de sangue para o músculo cardíaco, levando à isquemia. Ao mesmo tempo, o sistema imunológico as citocinas, responsáveis por combater o vírus, mas que também provocam inflamação nos vasos sanguíneos.
A inflamação pode danificar o revestimento interno das artérias e tornar instáveis placas de gordura que já existiam, aumentando a chance de ruptura. Além disso, durante a infecção, o sangue tende a ficar mais espesso, o que favorece a coagulação.
Todo o processo é um mecanismo natural de defesa do organismo para evitar sangramentos, mas Juliana ressalta que ele eleva o risco de formação de coágulos, que podem obstruir uma artéria do coração, causando infarto, ou atingir o cérebro, provocando um AVC.
QUAIS VÍRUS ESTÃO MAIS ASSOCIADOS A INFLAMAÇÕES CARDÍACAS?
Diversos vírus podem afetar o coração, especialmente o músculo cardíaco e as estruturas que o envolvem. Entre os principais, se destacam:
Coxsackie B: causa clássica de miocardite, um processo inflamatório do músculo cardíaco, que acomete com frequência crianças e adultos jovens;
SARS-CoV-2 (COVID-19): apresenta grande capacidade de provocar inflamação do músculo cardíaco e formação de trombos, tanto na fase aguda da infecção quanto no período de recuperação;
Influenza (gripe): pode causar miocardite e descompensar doenças cardíacas pré-existentes, especialmente a insuficiência cardíaca;
Adenovírus: vírus comuns em infecções respiratórias, que também podem atingir o coração;
Parvovírus B19: frequentemente associado a resfriados e capaz de afetar o coração, sobretudo o pericárdio, a membrana que o reveste, causando pericardite.
O RISCO DE INFARTO É MAIOR EM PESSOAS COM DOENÇAS CARDÍACAS?

Um coração saudável consegue lidar melhor com os efeitos da infecção, como o aumento da frequência cardíaca causado pela febre, segundo Juliana. No caso de pessoas com doenças cardíacas pré-existentes, o quadro é mais delicado porque o coração já trabalha sob maior esforço.
Nesses casos, qualquer aumento adicional da demanda, provocado pela inflamação, pela febre e pelo maior consumo de oxigênio, pode levar à descompensação do quadro, piora da função cardíaca e até a eventos graves, como insuficiência cardíaca aguda ou infarto.
Além disso, a cardiologista explica que quem já apresenta placas de gordura nas artérias têm maior risco de ruptura dessas placas durante a infecção, o que eleva significativamente a chance de complicações cardiovasculares.
SINTOMAS QUE PODEM INDICAR COMPLICAÇÕES APÓS UMA INFECÇÃO
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Alguns sinais podem indicar que uma infecção está evoluindo com complicações cardiovasculares, como:
Dor no peito;
Falta de ar desproporcional, inclusive em repouso ou com pequenos esforços;
Palpitações;
Inchaço súbito nas pernas;
Episódios de desmaio ou perda de consciência.
Como cuidar do coração após uma virose intensa?
Durante uma infecção viral, o coração passa a trabalhar sob maior estresse. Por isso, alguns cuidados são importantes para reduzir o risco de complicações cardíacas:
Manter repouso enquanto houver sintomas, como febre, dor no corpo, cansaço ou falta de ar;
Evitar exercícios físicos por alguns dias após a melhora, especialmente se a infecção foi intensa, pois o coração ainda pode estar sensível ao processo inflamatório;
Manter boa hidratação, ingerindo água ao longo do dia, já que a infecção tende a tornar o sangue mais espesso, favorecendo a formação de coágulos;
Controlar a febre, pois temperaturas elevadas aumentam a frequência cardíaca e o consumo de oxigênio pelo coração, sobrecarregando o músculo cardíaco;
Usar medicamentos apenas com orientação médica, evitando automedicação, especialmente anti-inflamatórios, que podem interferir na função cardiovascular;
Observar sintomas de alerta, como dor no peito, falta de ar, palpitações, inchaço nas pernas ou desmaio, que exigem avaliação médica imediata;
Manter acompanhamento médico, sobretudo em pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol alto ou doença cardíaca prévia, que apresentam risco maior de complicações.
PERGUNTAS FREQUENTES
1. Por que a febre sobrecarrega o coração?
A febre acelera o metabolismo e eleva a frequência cardíaca. Com isso, o coração precisa bater mais rápido e com mais força, aumentando o consumo de oxigênio.
Em pessoas com artérias já parcialmente obstruídas, esse esforço pode provocar isquemia e precipitar um infarto.
2. O que são citocinas e por que elas são perigosas para o coração?
As citocinas são substâncias liberadas pelo sistema imune para combater infecções. Em excesso, elas causam inflamação nos vasos sanguíneos, tornando placas de gordura mais frágeis e favorecendo sua ruptura, o que pode levar à formação de coágulos.
3. Exercício durante uma virose é perigoso?
Sim, a prática de atividade física durante infecções aumenta o risco de o vírus atingir o coração, causando miocardite e arritmias.
4. Quanto tempo após uma infecção é seguro voltar a se exercitar?
Depende da gravidade da infecção. Em geral, o recomendado é retomar atividades apenas após o total desaparecimento dos sintomas e, em casos mais intensos, com liberação médica.
5. Arritmias podem surgir após uma infecção viral?
Sim, a inflamação e a febre alteram o funcionamento elétrico do coração, favorecendo palpitações e batimentos irregulares.
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6. Quem fuma tem maior risco de infarto durante infecções?
Sim, o cigarro já agride os vasos sanguíneos e, combinado com a inflamação da infecção, eleva ainda mais o risco de trombose e entupimento das artérias.