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12/10/2019

Por que pessoas com tripofobia estão revoltadas com o novo iPhone 11 Pro

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Foto: Reprodução

Aparelho lançado pela Apple tem sistema triplo de lentes traseiras

Pessoas com fobia de pequenos buracos estão dizendo que o design do iPhone 11 Pro da Apple está provocando sua aversão.

 

No lançamento do aparelho na terça-feira (10), chamou atenção o sistema de câmera traseira com três lentes de alta potência.

 

 

As lentes ficam ao lado do microfone que faz "zoom de áudio".


Centenas de usuários de smartphones afirmam que o novo design provocou sua "tripofobia", uma aversão à visão de grupos de pequenos buracos.

 

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Aparelho lançado pela Apple tem sistema triplo de lentes traseiras

Foto: Apple

 

"A Apple não pensou em nós que temos TRIPOPOBIA ao fabricar o iPhone 11 Pro. Eu não posso comprá-lo, sentiria coceira o tempo todo, sempre que olhasse para ele", reclamou um usuário no site da empresa.


O termo "tripofobia" foi cunhado pela primeira vez em 2005 no fórum online Reddit e desde então se tornou amplamente comentado nas mídias sociais.

 

A atriz de American Horror Story, Sarah Paulson, e a modelo Kendall Jenner estão entre as que dizem ter essa condição.

 

O cientista da visão Dr. Geoff Cole, da Universidade de Essex, fez parte do primeiro estudo científico completo sobre tripofobia, trabalhando com seu colega, o professor Arnold Wilkins.

 

Pessoas com tripofobia sentem nojo ao olhar para pequenos buracos

 

Foto: reprodução


"Todos nós temos um pouco disso, é apenas uma questão de intensidade", disse Cole à BBC News.

 

A reação à visão de pequenos buracos pode ser muito extrema, diz o estudo deles.

 

O Dr. Cole e o Prof Wilkins relataram testemunhos de algumas pessoas que vomitaram e outras que disseram que não poderiam trabalhar por vários dias.

 

"Pode ser bastante incapacitante", acrescentou Wilkins.

 

Sintomas


A tripofobia não é reconhecida oficialmente, pois não pode ser diagnosticada, mas foi analisada por Cole e seus colegas.

 

Favos de mel também podem despertar reações desagradáveis

Foto: Reuters


Os cientistas estudaram 286 adultos e descobriram que 16% reagiam com aversão a padrões repetitivos, tendo até reações fisiológicas como o aumento dos batimentos cardíacos. Alguns manifestaram arrepios.

 

Um dos pacientes disse que as imagens "davam-lhe náuseas e tremores".

 

Culpa da evolução?


Arnold Wilkins e Geoff Cole, os pesquisadores que realizaram o estudo, pensam que essas reações podem ser parte de um mecanismo de defesa.

 

Isso porque há muitos animais potencialmente letais, como aranhas e cobras, que têm marcas similares. A aversão seria uma adaptação evolutiva ligada à preservação individual.

 

Wilkins e Cole justificam a hipótese com o fato de que um dos entrevistados revelou seu medo do polvo-de-anéis-azuis, animal com um dos venenos mais poderosos do mundo.

 

O polvo-de-anéis-azuis tem veneno letal para humanos

Foto: Getty Images


Quando ouviram isso, os pesquisadores coletaram várias imagens de alguns dos animais mais tóxicos conhecidos e constataram que elas tinham padrões similares aos que ativam as más sensações nas pessoas que têm tripofobia.

 

A também britânica Universidade de Kent tem uma outra teoria sobre as reações negativas a grupos de buracos.

 

Esta rã venenosa também tem padrões similares aos que afetam os tripófobos

Foto: BBC


Padrões de buracos manifestam-se em doenças e infecções como varíola e sarampo, e quem tem tripofobia poderia fazer associações ao ver objetos cotidianos.

 

Outra hipótese, também investigada por Arnold J. Wilkins, está ligada à configuração de buracos e manchas - mais especificamente propriedades matemáticas semelhantes às de imagens conhecidas por causar incômodo visual e mesmo dores de cabeça. Isso já foi identificado até mesmo em quem não se identifica como tripofóbico.

 

Problema matemático?


Essas imagens, segundo o acadêmico, causam ao cérebro dificuldades de processamento, forçando uma maior oxigenação e um maior uso de energia.

 

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Muitas fobias podem ser decorrentes de mecanismos de proteção. O medo de altura, por exemplo, nos protege de quedas perigosas, ao passo que o medo de insetos evitaria potenciais picadas mortais.

 

Se você tem algum tipo de aflição ao olhar para essa flor-de-lótus, você pode ter tripofobia

Foto: Getty Images


Porém, humanos podem desenvolver fobias de qualquer coisa, e a lista só cresce com o maior acesso à internet e às redes sociais. Até o medo de toques de telefone já foi descrito como uma fobia.

 

Os que argumentam contra a classificação de tripofobia alegam justamente isso: que a condição ganhou fama por meio de discussões online. E que as vítimas são persuadidas pela sugestão de que padrões repetitivos são repulsivos. 

 

MSN

 

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