Em Santa Marta, indígenas defendem territórios livres de petróleo e pressionam por uma transição energética baseada em justiça climática, direitos e autodeterminação
Lideranças indígenas da Amazônia brasileira levaram ao cenário internacional uma proposta ambiciosa: barrar a expansão de atividades ligadas a combustíveis fósseis dentro de seus territórios. A iniciativa foi apresentada durante a 1ª Conferência Internacional sobre a Transição para Além dos Combustíveis Fósseis, realizada em Santa Marta, na Colômbia, que reúne governos, especialistas e organizações de diversos países para discutir caminhos concretos rumo a uma economia menos dependente do petróleo, gás e carvão.
No centro da proposta está um documento estratégico elaborado por organizações indígenas, chamado de “Mapa do Caminho Global para Além dos Combustíveis Fósseis”. A ideia é não apenas acelerar a eliminação gradual dessas fontes de energia, mas também impedir a abertura de novas áreas de exploração, especialmente em regiões sensíveis como as Terras Indígenas. Além disso, o plano defende que esses territórios sejam reconhecidos oficialmente como zonas livres de atividades fósseis, reforçando a proteção ambiental e os direitos dessas populações.
A proposta vai além da questão energética e incorpora conceitos como justiça climática, autodeterminação dos povos indígenas e financiamento direto para iniciativas sustentáveis. Entre os pilares defendidos estão o fortalecimento da bioeconomia, o acesso a tecnologias limpas e a integração entre políticas de clima, biodiversidade e proteção territorial. Para as lideranças, não basta substituir uma fonte de energia por outra — é necessário repensar todo o modelo de desenvolvimento.
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Esse posicionamento ocorre em meio a um cenário de crescente pressão sobre a Amazônia. Dados apresentados por organizações indígenas mostram que mais de 320 mil km² de Terras Indígenas na região já sofrem influência de blocos de exploração de petróleo e gás. Ao todo, existem centenas de áreas destinadas à atividade petrolífera, além de milhares de processos minerários que incidem sobre territórios tradicionais em diferentes países amazônicos.
Durante a conferência, representantes indígenas também reforçaram que querem deixar de ser vistos apenas como grupos afetados pelas mudanças climáticas e passar a atuar como protagonistas na formulação de soluções globais. Eles defendem participação direta nos espaços de decisão e inclusão de suas propostas nos documentos oficiais do encontro, argumentando que seus conhecimentos tradicionais podem contribuir de forma decisiva para uma transição energética mais justa e sustentável.
A mobilização não se restringiu aos debates institucionais. Em Santa Marta, lideranças e organizações realizaram manifestações públicas contra a expansão de atividades extrativas e em defesa de um futuro livre de combustíveis fósseis. O movimento reúne entidades de diversos países da Amazônia, reforçando uma articulação internacional que busca pressionar governos e influenciar políticas climáticas em escala global.
No contexto mais amplo, a conferência na Colômbia surge como uma tentativa de avançar nas discussões sobre a transição energética, diante das dificuldades enfrentadas em negociações climáticas tradicionais. A presença ativa de povos indígenas nesse espaço amplia o debate ao incorporar questões territoriais, sociais e culturais, evidenciando que a crise climática não é apenas ambiental, mas também política e econômica.
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Assim, a proposta apresentada pelos povos indígenas representa um marco na luta por reconhecimento e proteção de seus territórios, ao mesmo tempo em que desafia modelos tradicionais de exploração de recursos naturais. Ao defender o fim da expansão fóssil em suas terras, essas lideranças colocam em pauta uma visão de futuro que combina preservação ambiental, justiça social e protagonismo indígena nas decisões globais.