Impulsionado pela demanda industrial, escassez global e incertezas geopolíticas, metal atrai investidores, mas exige cautela com a volatilidade.
Tradicionalmente vista como um ativo secundário em relação ao ouro, a prata assumiu o protagonismo no mercado de metais preciosos nos últimos dois anos. Desde 2024, nenhum outro metal apresentou valorização tão expressiva, movimento que, segundo analistas, ainda pode se estender ao longo de 2026, apesar dos riscos envolvidos.
Em janeiro de 2024, a onça troy de prata era negociada, em média, a US$ 23. No início de 2026, o metal ultrapassou a marca histórica de US$ 100, acumulando uma alta superior a 300% no período, considerando o câmbio atual. O desempenho superou com folga o do ouro, cuja valorização foi de cerca de 140% no mesmo intervalo.
Especialistas atribuem a disparada a uma combinação de fatores estruturais. Entre eles estão o déficit persistente de oferta, o crescimento acelerado da demanda industrial, o esgotamento de estoques físicos e o aumento da procura por ativos de proteção em meio a um cenário global de instabilidade econômica e política.
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Diferentemente do ouro, que atua majoritariamente como reserva de valor, a prata possui um papel estratégico na indústria. O metal é amplamente utilizado em painéis solares, veículos elétricos, data centers e equipamentos eletrônicos, o que a torna mais sensível aos ciclos econômicos. Em momentos de retomada industrial, essa característica tende a potencializar os ganhos, embora também amplifique as oscilações.
As tensões recentes entre Estados Unidos e Europa, somadas a incertezas sobre a condução da política monetária americana e à atuação do presidente Donald Trump em temas geopolíticos, reforçaram a busca por ativos considerados defensivos. Nesse contexto, a prata chegou a registrar altas diárias próximas de 7% e acumulou ganhos relevantes já no início de 2026.
Para o investidor, há diversas formas de exposição ao metal. É possível adquirir prata física, como barras e moedas, opção que envolve custos com custódia, seguro e spreads. Outra alternativa são ETFs lastreados no metal, fundos derivativos, ações de empresas mineradoras e produtos financeiros negociados em bolsa, tanto no Brasil quanto no exterior.
Analistas alertam, porém, que a volatilidade da prata é significativamente maior do que a do ouro. Historicamente, o metal apresenta oscilações quase duas vezes superiores, o que exige atenção ao perfil de risco, ao horizonte de investimento e à liquidez dos ativos escolhidos. Por isso, a recomendação é que a exposição seja limitada e combinada com ativos de menor volatilidade.
A escassez de oferta é um dos principais sustentáculos da alta. O mercado registrou, em 2025, o quinto ano consecutivo de déficit global de produção, e novas restrições são esperadas para 2026. O fechamento de grandes mineradoras em países como México, Peru, Bolívia e Rússia reduziu a capacidade de resposta da oferta no curto prazo.
Do lado da demanda, a transição energética exerce forte pressão. Estimativas indicam que a indústria fotovoltaica pode aumentar o consumo anual de prata em centenas de milhões de onças até o fim da década. Veículos elétricos também utilizam significativamente mais prata do que os modelos a combustão, reforçando o cenário de demanda estrutural elevada.
Além disso, a China, um dos maiores produtores globais, passou a tratar o metal como recurso estratégico, impondo restrições à exportação. A política monetária mais flexível nos Estados Unidos, com cortes de juros, também contribuiu para tornar a prata mais atrativa como proteção contra inflação e desvalorização cambial, impulsionando a entrada de recursos em ETFs ligados ao metal.
Apesar do otimismo, especialistas ressaltam que a sustentação dos preços depende da manutenção de juros reais baixos, estabilidade do dólar e resiliência da atividade industrial global. Qualquer mudança nesses fatores pode provocar correções, que tendem a ser mais intensas na prata do que no ouro.
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Ainda assim, diante das incertezas geopolíticas persistentes e da crescente demanda tecnológica, o metal segue no radar do mercado como um dos ativos mais promissores e também mais voláteis do atual ciclo de commodities.