NOTÍCIAS
Economia
Preços definidos pelo governo geram reação negativa e colocam em risco leilão bilionário de energia
Foto: Reproduçao

Investidores consideram valores até 47% abaixo do esperado e temem esvaziamento do certame marcado para março.

Os valores estabelecidos para o principal leilão de geração de energia elétrica de 2026 provocaram forte reação no mercado na última terça-feira (10). Investidores avaliaram os preços como insuficientes, o que pressionou ações de empresas do setor e levantou dúvidas sobre a adesão ao certame, marcado para 18 de março.

 

O Ministério de Minas e Energia (MME) encaminhou na segunda-feira (9) os preços-teto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que tornou as informações públicas em reunião nesta terça. A divulgação evidenciou uma divisão entre agentes do setor.

 

Entidades que representam grandes consumidores de energia afirmaram que os valores estão em linha com leilões anteriores. Já analistas de mercado apontam que as remunerações ficaram entre 20% e 47% abaixo das projeções e não seriam suficientes para viabilizar novos projetos térmicos nem, em alguns casos, sustentar usinas já em operação.

 

Veja também 

 

Mega-Sena acumula e próximo prêmio pode chegar a R$ 55 milhões

 

Petrobras registra recorde de produção e exportações de petróleo, mesmo com queda do preço do barril

 

Três analistas ouvidos pela reportagem, sob condição de anonimato, avaliam que, se os preços forem mantidos, o leilão corre risco de não atrair propostas.

 

O certame tem como objetivo contratar a chamada reserva de capacidade do sistema elétrico, garantindo que usinas novas e antigas estejam disponíveis para suprir a demanda em momentos críticos. Com o avanço da energia solar, especialmente a geração distribuída em telhados, o sistema precisa de fontes de backup para suprir o consumo no fim do dia, quando há pico de demanda e queda na geração solar.

 

O Operador Nacional do Sistema (ONS) já alertou que, sem reforço na capacidade de reserva, o risco de blecautes tende a crescer. A expectativa é que o leilão possa mobilizar investimentos da ordem de R$ 30 bilhões por ano ao longo de 15 anos.

 

A reação negativa foi refletida no mercado financeiro. As ações da Eneva, uma das principais operadoras de térmicas do país e potencial participante do leilão, chegaram a cair quase 20% durante o pregão e encerraram o dia com recuo de 9,66%, cotadas a R$ 19,82. O BTG Pactual, maior acionista da companhia, classificou os preços como baixos e alertou que, se o leilão fracassar, o governo poderá ter de recorrer a soluções emergenciais mais caras no futuro.

 

Outros grandes grupos, como Petrobras e Âmbar, também são apontados como interessados. A expectativa do mercado é que representantes do setor levem as preocupações ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, durante evento com executivos previsto para esta quarta-feira (11).

 

Analistas destacam que o custo de construção de novas térmicas subiu significativamente nos últimos 12 meses, impulsionado pela demanda global por infraestrutura energética e pelo crescimento de data centers. O aumento teria ficado entre 40% e 50%. Além disso, fabricantes de turbinas enfrentam filas de até sete anos, o que encarece ainda mais os projetos.

 

Luiz Barroso, presidente da consultoria PSR, afirmou que os valores divulgados ficaram abaixo da maioria das estimativas do setor e que a equipe está revisando seus cálculos para entender as divergências.

 

A Abrace, entidade que representa grandes consumidores industriais, adotou tom mais moderado. Em nota, afirmou que o leilão não deve ser visto como a única alternativa para garantir a segurança do sistema e que novos certames podem ser realizados ainda este ano, se necessário. O presidente da entidade, Paulo Pedrosa, ponderou que o custo da energia no Brasil já é elevado e defendeu a análise de alternativas, como o uso de baterias para armazenamento.

 

Segundo o governo, o processo de definição dos preços seguiu critérios técnicos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), com validação do ministério antes do envio à Aneel. O MME afirma ainda que os valores estão alinhados à evolução do mercado desde o último leilão do tipo, realizado em 2021.

 

O mercado, no entanto, esperava uma receita fixa entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões por MW.ano. Os preços estabelecidos variam conforme o tipo de usina e o ano de entrega.

 

Para termelétricas a gás natural e carvão, o teto foi fixado em R$ 1,12 milhão por MW.ano para projetos disponíveis entre 2026 e 2027 e para usinas existentes que operem de 2028 a 2031. Para novos empreendimentos com entrada entre 2028 e 2031, o valor sobe para R$ 1,6 milhão por MW.ano.

 

No caso das hidrelétricas, o tetodefinido é de R$ 1,4 milhão por MW.ano para projetos com início em 2030 e 2031. Já em leilão específico para térmicas a óleo e biodiesel, os valores foram fixados em R$ 920 mil por MW.ano para 2026 e 2027, e R$ 990 mil para usinas com operação a partir de 2030.

 

Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no FacebookTwitter e no Instagram.

Entre no nosso Grupo de WhatAppCanal e Telegram

 

Diante da reação do mercado, o setor agora aguarda possíveis ajustes ou negociações antes da realização do leilão. 

LEIA MAIS
DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Mensagem:

Copyright © 2013 - 2026. Portal do Zacarias - Todos os direitos reservados.