Calor e seca na Europa, tensões no Mar Negro e preocupações com o El Niño pressionaram os preços de commodities agrícolas em agosto
Os preços mundiais dos alimentos atingiram em agosto o maior nível desde novembro de 2022, segundo o Índice de Preços de Alimentos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. O indicador registrou média de 133,3 pontos, uma alta de 1,9% em relação a julho e de 2,5% na comparação com agosto do ano passado.
O avanço foi puxado por uma combinação de fatores que ameaça o abastecimento global. O calor extremo e a seca na Europa prejudicaram as perspectivas para algumas lavouras, enquanto a possibilidade de um El Niño forte aumentou as preocupações com a produção agrícola em diferentes regiões do planeta.
Os cereais também ficaram mais caros. O índice da categoria subiu 2,2% em agosto, com o trigo avançando 2,6% e atingindo um nível 15% superior ao registrado um ano antes. As dificuldades nas rotas de exportação do Mar Negro e as condições climáticas desfavoráveis na Europa contribuíram para a pressão sobre os preços.
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O açúcar teve uma das maiores altas, com avanço de 11,9%, alcançando o maior valor desde junho de 2025. A produção menor na região Centro-Sul do Brasil, somada às preocupações climáticas na Europa e na Ásia, ajudou a elevar as cotações. Os óleos vegetais também subiram, impulsionados principalmente pelo aumento dos preços do óleo de palma e de soja.
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Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
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A alta acende um sinal de alerta para os próximos meses, principalmente diante da combinação entre mudanças climáticas, conflitos internacionais e problemas na logística do comércio. Apesar da pressão recente, a produção mundial de cereais em 2026 ainda é projetada em cerca de 2,98 bilhões de toneladas, o segundo maior volume já registrado, indicando que o cenário global de oferta ainda não representa uma escassez generalizada.