Carlinhos da Pedreira entrou em uma sala de descanso após reclamações sobre demora no atendimento; gestor acusou profissionais de dormir e namorar enquanto pacientes aguardavam assistência.
O prefeito de Barreiros, em Pernambuco, Carlos Artur Soares de Avelar, conhecido como Carlinhos da Pedreira (PP), protagonizou uma discussão com médicos durante uma fiscalização-surpresa no Hospital Municipal Jailton Messias de Albuquerque. O episódio ocorreu na noite de quarta-feira (4) e foi registrado em vídeo.
A vistoria foi realizada após moradores denunciarem demora no atendimento da unidade de saúde. Segundo o prefeito, havia três médicos escalados para o plantão, mas apenas um estaria atendendo os pacientes que aguardavam na emergência.
Durante a fiscalização, o gestor encontrou dois profissionais, um homem e uma mulher, em uma sala de descanso com a porta fechada. Ao entrar no ambiente, passou a acusá-los de estarem dormindo e namorando durante o expediente.
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Nas imagens divulgadas nas redes sociais, o prefeito aparece exaltado, ordenando que os médicos deixassem o hospital. Ele também solicita a presença da polícia e faz críticas à conduta dos profissionais, enquanto afirma que a emergência estava cheia de pacientes.
Após a repercussão do vídeo, o prefeito voltou a falar sobre o episódio nas redes sociais. Em um novo pronunciamento, deixou de mencionar a acusação de namoro e afirmou que os médicos estavam dormindo e descansando durante o horário de atendimento.
O Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) repudiou a exposição pública dos profissionais. A entidade afirmou que a fiscalização dos serviços de saúde não autoriza gestores a comprometer a honra, a imagem e a dignidade dos médicos.
O Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) também criticou a abordagem e as insinuações sobre a vida íntima dos trabalhadores. A entidade destacou que a presença de profissionais em um ambiente de repouso não comprova, por si só, que estivessem mantendo um relacionamento durante o plantão.
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Após o caso, a Prefeitura de Barreiros anunciou a rescisão do contrato de gestão do hospital com a Associação Beneficente João Paulo II. O município informou que assumirá diretamente a administração da unidade até a conclusão de um novo processo licitatório. Não há confirmação de que os médicos tenham sido presos ou de que os desligamentos anunciados tenham sido efetivados.