Projeto busca priorizar o transporte coletivo e reduzir acidentes nas regiões com maior índice de mortes no trânsito.
A Prefeitura de Manaus lançou um edital de concorrência pública para a contratação de uma empresa de engenharia responsável pela elaboração dos projetos básico e executivo de corredores exclusivos para ônibus, conhecidos como Faixa Azul, nas zonas Norte e Leste da capital. O contrato está estimado em R$ 6,3 milhões, com recursos do Ministério das Cidades, por meio da Caixa Econômica Federal, além de uma contrapartida simbólica de R$ 1,5 mil do município.
O edital já está disponível no Portal de Compras da Prefeitura, e as empresas interessadas podem se inscrever até o dia 25 de março. A abertura das propostas está marcada para o mesmo dia, às 9h.
De acordo com o documento, os projetos deverão contemplar vias das Zonas Norte e Leste regiões que, até hoje, não contam com faixas exclusivas permanentes para o transporte coletivo. O edital também impõe restrições à participação de empresas com vínculo com agentes públicos envolvidos na licitação, autores de projetos relacionados ou condenadas por crimes trabalhistas nos últimos cinco anos.
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REGIÕES CONCENTRAM ACIDENTES FATAIS
A iniciativa ocorre em meio a um cenário preocupante no trânsito. Dados do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) apontam que as zonas Norte e Leste lideraram os registros de acidentes com mortes em 2025. A Zona Norte contabilizou 58 ocorrências, representando 27,75% do total, enquanto a Zona Leste registrou 51 casos, o equivalente a 24,40%.
Entre as vias com maior número de vítimas fatais estão a avenida Governador José Lindoso, conhecida como avenida das Torres, com 13 mortes ao longo de 2025, além das avenidas Autaz Mirim e Cosme Ferreira, ambas na Zona Leste, com dez mortes cada.
FAIXA AZUL VOLTA AO CENTRO DO DEBATE
A proposta reacende a discussão sobre a Faixa Azul em Manaus. Implantado em 2015 na avenida Constantino Nery, o sistema buscava reduzir o tempo de deslocamento do transporte coletivo. Posteriormente, foi ampliado para avenidas como Torquato Tapajós, Max Teixeira e Djalma Batista, além de permitir a circulação de táxis com passageiros.
Com o passar dos anos, porém, o modelo passou a ser alvo de críticas de motoristas e de questionamentos judiciais, principalmente pela falta de estudos técnicos atualizados. Desde 2023, a Faixa Azul deixou de operar plenamente e, em alguns trechos, como na avenida Torquato Tapajós, foi desativada de forma definitiva.
OUTRAS PROPOSTAS EM DISCUSSÃO
Além dos corredores exclusivos, outras iniciativas voltadas à organização do trânsito estão em debate na Câmara Municipal. Entre elas, o Projeto de Lei nº 430/2025, do vereador Rodrigo Sá (PP), que propõe a criação de motofaixas em vias de grande fluxo, e o PL nº 174/2025, do vereador Diego Afonso (UB), que trata da implantação de faixas de retenção e proteção para motociclistas em cruzamentos com semáforos. As propostas aguardam retomada da tramitação após o recesso parlamentar.
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