Divulgação do levantamento ocorreu após vazamento de um áudio de uma conversa do senador pedindo dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou nesta segunda-feira (9) a retirada e a suspensão da divulgação de uma pesquisa eleitoral realizada pelo instituto AtlasIntel que apontava queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A decisão atende a um pedido apresentado pelo Partido Liberal (PL), que questionou a metodologia utilizada no levantamento divulgado em maio. Segundo a legenda, o questionário teria sido elaborado de forma a influenciar negativamente a percepção dos entrevistados em relação ao parlamentar.
De acordo com a ação, das 49 perguntas aplicadas na pesquisa, oito abordavam diretamente temas relacionados ao Banco Master, ao banqueiro Daniel Vorcaro e a conversas vazadas envolvendo Flávio Bolsonaro. Para o partido, a sequência dos questionamentos teria criado um contexto capaz de interferir nas respostas dos participantes.
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Ao analisar o caso, Kassio Nunes Marques afirmou que existem indícios de possível indução dos entrevistados, o que poderia comprometer a neutralidade da pesquisa.
“A controvérsia suscitada nos autos não se limita à mera discordância quanto às escolhas metodológicas da representada, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”, destacou o ministro na decisão.
O magistrado também observou que outras pesquisas anteriormente realizadas pelo AtlasIntel não apresentaram questionários semelhantes nem utilizaram conteúdos relacionados ao áudio que se tornou alvo da discussão judicial.
Com a decisão, o instituto deverá retirar o levantamento de seus canais oficiais e apresentar ao TSE documentação técnica complementar para demonstrar a regularidade da metodologia empregada, incluindo esclarecimentos sobre o uso do material mencionado pelo PL.
O Ministério Público Eleitoral também foi acionado e deverá emitir parecer sobre o caso.
A decisão foi tomada de forma individual e ainda será submetida à análise do plenário do Tribunal Superior Eleitoral em sessão prevista para esta terça-feira (10).
A pesquisa questionada ouviu 5.032 eleitores entre os dias 13 e 18 de maio. Segundo o AtlasIntel, a margem de erro era de um ponto percentual, com nível de confiança de 95%.
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O caso reacende o debate sobre os limites metodológicos das pesquisas eleitorais e sobre a necessidade de garantir neutralidade e transparência nos levantamentos divulgados durante períodos de pré-campanha.