Uma reunião reservada realizada na quinta-feira (12) no Supremo Tribunal Federal (STF) terminou com a retirada do ministro Dias Toffoli da relatoria do chamado Caso Master, investigação que envolve a quebra do Banco Master e um rombo estimado em cerca de R$ 50 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Apesar de Toffoli contar inicialmente com maioria para permanecer no caso — oito votos favoráveis contra dois —, prevaleceu uma solução política articulada nos bastidores, após sugestão do ministro Flávio Dino: o Supremo divulgaria uma nota pública de apoio ao magistrado e, em contrapartida, Toffoli aceitaria a redistribuição do processo.
Com isso, o novo relator passou a ser o ministro André Mendonça. Dos dez ministros presentes (uma vaga segue aberta), apenas Edson Fachin e Cármen Lúcia sinalizaram posição contrária à permanência de Toffoli. Ainda assim, ambos defenderam que o caso fosse resolvido rapidamente para evitar maior desgaste institucional.
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RELATÓRIO DA PF GEROU CRISE
O estopim da crise foi um relatório de cerca de 200 páginas da Polícia Federal, que apontava possíveis elementos para questionar a imparcialidade de Toffoli. O documento foi entregue ao STF pelo diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.
Durante a reunião, vários ministros criticaram duramente a atuação da PF, classificando o material como “investigação clandestina” e “lixo jurídico”, por ter sido produzido sem autorização formal da Corte.
O ministro Alexandre de Moraes afirmou que a Polícia Federal não poderia investigar autoridades com foro privilegiado sem aval do Supremo, enquanto Gilmar Mendes sugeriu que a corporação teria reagido a decisões desfavoráveis tomadas por Toffoli no processo. Já Luiz Fux foi direto ao declarar que confiava plenamente no colega. “O ministro Toffoli tem fé pública”, afirmou.
Cármen Lúcia alertou para o impacto da crise na imagem do Judiciário. Segundo ela, a Corte vinha sofrendo forte rejeição popular e o episódio poderia aprofundar esse desgaste.
Flávio Dino, por sua vez, avaliou que o problema era essencialmente político, e não jurídico. Foi ele quem propôs a saída negociada: nota pública de apoio ao ministro e redistribuição do processo como gesto de “grandeza institucional”. Ao final, Toffoli concordou em abrir mão da relatoria para evitar que o STF saísse dividido em votação pública.
“Eu sei que a imprensa vai divulgar que eu fui retirado do processo. Preferia que fosse diferente, mas se isso resolve hoje, eu aceito”, declarou o ministro durante a reunião.
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A decisão foi interpretada internamente como uma tentativa de reduzir a pressão externa sobre o Supremo e preservar a imagem da Corte, encerrando um dos episódios mais tensos recentes envolvendo seus integrantes.