Teste histórico em 1945 no Nova México fez cientistas descobrirem a trinitita, uma material com algumas estruturas desconcertantes
Pesquisadores descobriram que a primeira explosão nuclear da história, realizada pelos Estados Unidos em 1945 durante o teste Trinity, criou um cristal raro que durante décadas foi considerado impossível pela ciência. O material foi encontrado em fragmentos de trinitita — vidro esverdeado formado pela fusão da areia do deserto após a detonação da bomba atômica.
O cristal identificado pertence ao grupo dos chamados quasicristais, estruturas cuja organização atômica desafia os padrões tradicionais observados em cristais comuns. Diferentemente dos materiais convencionais, os quasicristais possuem padrões que não se repetem de forma regular, algo que durante muitos anos era considerado matematicamente impossível.
A descoberta foi feita por cientistas ligados ao Laboratório Nacional de Los Alamos, nos Estados Unidos, após análise detalhada de amostras recolhidas no local da explosão nuclear ocorrida no deserto do Novo México. O estudo foi publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
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Segundo os pesquisadores, o quasicristal foi formado devido às condições extremas geradas pela explosão, que produziu temperaturas altíssimas, pressão intensa e ondas de choque violentas. Esses fatores fundiram areia do deserto, metais vaporizados e cabos de cobre usados nos equipamentos do teste nuclear.

Foto: Reprodução
Os cientistas afirmam que esse tipo de estrutura raramente é encontrado na natureza. Antes disso, quasicristais semelhantes haviam sido identificados apenas em meteoritos ou produzidos artificialmente em laboratório. A descoberta no material da explosão nuclear é considerada uma das evidências mais incomuns de formação desse tipo de matéria na Terra.
O teste Trinity ocorreu em 16 de julho de 1945 e marcou o início da era nuclear. A explosão liberou energia equivalente a cerca de 21 mil toneladas de TNT e criou uma enorme bola de fogo que vaporizou estruturas metálicas e transformou o solo em vidro radioativo.
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Especialistas acreditam que a descoberta poderá ajudar futuramente em pesquisas sobre materiais formados sob condições extremas e até em investigações ligadas à detecção de testes nucleares clandestinos.