A cúpula da Procuradoria-Geral da República (PGR) avalia que os depoimentos já tomados no âmbito das investigações da trama golpista têm “fortalecido” a denúncia que já levou o ex-presidente Jair Bolsonaro e outras 30 pessoas – entre policiais, militares e ex-ministros de Estado – ao banco dos réus.
Segundo integrantes da PGR ouvidos pela equipe da coluna, até aqui o depoimento mais duro e contundente foi o do ex-comandante da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Junior, que confirmou as principais teses sustentadas pelos investigadores ao longo da apuração, considerado um dos casos mais importantes da história do STF.
Em depoimento de uma hora e 20 minutos prestado na quarta-feira passada (21), Baptista Junior confirmou ter participado de reuniões no Palácio da Alvorada em que Bolsonaro discutiu uma minuta golpista para impedir a posse de Lula, relatou que o ex-comandante do Exército Freire Gomes ameaçou o ex-presidente com prisão se o plano fosse levado a cabo – e disse que a articulação antidemocrática só não teve êxito porque não houve a “participação unânime das Forças Armadas”.
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Baptista Junior também confirmou que chegou a ser discutida a prisão do ministro Alexandre de Moraes em reuniões reservadas que ocorreram após a derrota de Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2022.
“Isso era um brainstorming nas reuniões. Eu lembro bem, houve a seguinte discussão: “Vai prender o Alexandre de Moraes, (então presidente do TSE)? Vai. Amanhã o STF vai dar um habeas corpus para soltar. E aí, nós vamos fazer o que? Vamos prender os outros 11?”. Mas isso era um brainstorming, buscando uma solução, que já estava no campo do desconforto. Pelo menos, para mim estava.”
O próprio procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o ministro Alexandre de Moraes têm acompanhado os depoimentos e feito perguntas às testemunhas, ao invés de delegar a função para subordinados, como é o procedimento de praxe.
Em fevereiro, Bolsonaro e outras 34 pessoas foram denunciadas pela PGR por organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado – crimes que, somados, podem levar a uma pena de 43 anos.
Até aqui, o Supremo rejeitou a denúncia apenas contra dois alvos da investigação: o coronel da reserva do Exército Cleverson Ney Magalhães e o general de duas estrelas Nilton Diniz. Para os ministros, não havia provas robustas dos dois no planejamento da intentona golpista para impedir a posse de Lula e manter Bolsonaro no poder.
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Conforme informou o blog, a situação do general era alvo de preocupação no comando do Exército, uma vez que ele é próximo ao atual comandante, Tomás Paiva, de quem já foi assessor. O comandante tem bom diálogo com Moraes.
Fonte: O Globo