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Programa de médicos cubanos enfrenta pressão americana e crise interna agravada
Foto: Orlando SIERRA / AFP

Médicos cubanos acenam com bandeiras de papel ao chegarem a Honduras, em 27 de fevereiro de 2024. Missão no país foi encerrada em fevereiro

Antes mesmo de apertar o cerco ao petróleo, o governo de Donald Trump já mirava outro alvo sensível: o programa de envio de médicos cubanos ao exterior. Chamadas de “missões humanitárias”, essas ações ganharam atenção internacional depois que os Estados Unidos as classificaram como “trabalho forçado” e alertaram que países parceiros poderiam sofrer consequências se mantivessem acordos com Havana. A crise energética em Cuba após a captura de Nicolás Maduro na Venezuela só tornou a situação mais crítica.

 

Desde fevereiro de 2025, o secretário de Estado Marco Rubio restringiu vistos de funcionários cubanos envolvidos no programa. Autoridades estrangeiras e familiares também foram incluídos nas restrições, sob a justificativa de que os serviços médicos seriam usados para enriquecer o regime. Países do Caribe e da América Central, como Guatemala, Bahamas, Honduras e Antígua e Barbuda, já revisaram ou cancelaram acordos. Outros governos, como o da Guiana, passaram a contratar médicos cubanos de forma independente, sem intermediários.

 

A Venezuela segue sendo o principal destino dos médicos cubanos. Dados de Havana mostram que mais da metade dos 24 mil profissionais em missões internacionais atuava lá em 2025. Com a queda de Maduro e o fim do fluxo de combustível para Cuba, muitos médicos deixaram o país, desorganizando o programa que existe desde a década de 1960. Desde então, cerca de 600 mil profissionais foram enviados a mais de 160 países, incluindo o Brasil, salvando vidas e fortalecendo o acesso à saúde em regiões carentes.

 

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Apesar do impacto positivo, o modelo é alvo de críticas. Parte substancial dos salários pagos pelos países contratantes é retida pelo governo cubano antes de chegar aos médicos. Passaportes são confiscados, entrevistas são proibidas e regras rígidas controlam a rotina dos profissionais no exterior. Organizações como Human Rights Watch e Anistia Internacional consideram essas condições uma forma de exploração moderna, que chega a ser comparada a escravidão.

 

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Mesmo com as receitas do programa, os salários em Cuba continuam baixíssimos. Médicos recebem cerca de 16 dólares por mês, trabalham sem medicamentos ou equipamentos básicos e enfrentam hospitais precários. Relatores da ONU já alertaram sobre o risco de trabalho forçado, mas também reconheceram o impacto positivo do programa. Especialistas afirmam que o encerramento abrupto das missões poderia prejudicar tanto a economia cubana quanto milhões de pessoas em países que dependem desses serviços médicos.

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