Iniciativa contempla 15 escolas da capital e do interior com oficinas, apresentações artísticas e atividades educativas para fortalecer a identidade cultural e aproximar os jovens da arte.
A arte e a cultura indígena e afro-brasileira vão ganhar espaço na rotina de 7,5 mil estudantes de 15 escolas públicas do Amazonas. A iniciativa prevê oficinas, apresentações artísticas, rodas de conversa e atividades educativas voltadas à valorização das tradições que contribuem para a formação da identidade cultural brasileira, com atenção especial à realidade amazônica.
Uma das unidades contempladas é o Centro Educacional de Tempo Integral (CETI) Elisa Bessa Freire, localizado no bairro Jorge Teixeira, zona leste de Manaus. Foi nessa escola que Antony César, de 14 anos, teve a oportunidade de interpretar um pajé em uma releitura do Festival Folclórico de Parintins, apresentada em junho.
O estudante recorda a experiência com entusiasmo e conta que procura participar de apresentações e competições sempre que tem oportunidade.
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“Eu fui o item 12, e eu danço aqui na escola ou em eventos, quando tem. Me inscrevo para participar de competições. Arte e cultura são fundamentais nas escolas para ter um incentivo aos alunos”, relatou.
A experiência do adolescente mostra como as atividades culturais podem ampliar o envolvimento dos estudantes com as manifestações artísticas e aproximá-los das tradições regionais.
LEI PREVÊ ENSINO DA HISTÓRIA E DA CULTURA AFRO-BRASILEIRA E INDÍGENA
A valorização dessas expressões também está prevista na legislação brasileira. A Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008, tornou obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira e indígena nas instituições de ensino.
A norma estabelece que os conteúdos abordem a história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, suas manifestações culturais e a contribuição desses grupos para a formação da sociedade nacional.
Apesar da exigência legal, a aplicação da lei ainda enfrenta desafios. Um levantamento realizado em 2023 pelo Geledés – Instituto da Mulher Negra e pelo Instituto Alana apontou que 71% das secretarias municipais de educação desenvolviam poucas ou nenhuma ação para implementar o ensino de história e cultura afro-brasileira nas escolas.
A legislação também prevê que a temática seja trabalhada por meio de diferentes áreas do conhecimento, incluindo educação artística, literatura e história brasileira. Nesse contexto, oficinas, apresentações de dança e outras atividades culturais podem funcionar como instrumentos para tornar o aprendizado mais próximo da realidade dos estudantes.
GOVERNO FEDERAL DESTINA RECURSOS PARA AÇÕES CULTURAIS NAS ESCOLAS
A iniciativa no Amazonas integra a Ação Arte e Cultura na Educação em Tempo Integral, instituída pela Portaria Interministerial nº 7/2025, publicada em 17 de setembro pelos ministérios da Educação (MEC) e da Cultura (MinC).
Com orçamento primário total de R$ 27 milhões, incluindo a previsão de R$ 1 milhão para cada estado, a política busca ampliar o acesso dos estudantes à cultura e fortalecer a formação integral por meio de experiências artísticas e educativas.
A proposta prioriza manifestações culturais afro-brasileiras, indígenas e africanas, além de dar atenção a regiões periféricas com elevados índices de vulnerabilidade social e socioeconômica.
Entre as atividades previstas estão residências artísticas nas escolas, oficinas com mestres das culturas populares e tradicionais, incentivo à leitura e à escrita criativa, visitas a teatros, museus e bibliotecas, produção audiovisual, cineclubes e ações inclusivas destinadas a pessoas com deficiência.
Os estados e o Distrito Federal podem aderir à iniciativa, enquanto os municípios podem participar em colaboração com os governos estaduais. Os recursos destinados à ação são repassados às secretarias estaduais de cultura e à do Distrito Federal por meio de convênios com o Ministério da Cultura.
AMAZONAS PREPARA ATIVIDADES PARA 15 ESCOLAS
No estado, o projeto é coordenado pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa. Segundo o coordenador da iniciativa, Ricardo Lopes, o planejamento foi desenvolvido para atender estudantes de 15 unidades de ensino, na capital e no interior.
A proposta é levar atividades culturais diretamente ao ambiente escolar, com atenção às histórias, aos saberes e às manifestações artísticas dos povos indígenas e da população afro-brasileira.
“A gente quer adentrar às escolas levando ações culturais sem esquecer de falar da temática afro-brasileira e indígena. Por isso, preparamos oficinas, apresentações artísticas e bate-papos. Tudo com essas temáticas. Também adicionamos programas já existentes da secretaria, como os de leitura e os corpos artísticos”, explicou Ricardo Lopes.
O CETI Elisa Bessa Freire é a primeira unidade de educação em tempo integral do Amazonas a receber as ações do projeto.
Uma das parcerias é com o Balé Folclórico do Amazonas, que apresentou espetáculos inspirados em personagens do imaginário popular da região, como a Caipora, o Boto-cor-de-rosa e a Matinta Pereira. A apresentação ocorreu na terça-feira (6).
O coreógrafo e pesquisador do grupo, Eduardo Amaral, destacou a importância das influências indígenas e africanas na formação da identidade amazonense. Para ele, a dança e as atividades lúdicas ajudam a despertar o interesse dos estudantes e facilitam a compreensão das tradições culturais.
“É fundamental que o artista dê apoio para a nova geração entender sua cultura. Perdemos um pouco da nossa identidade e precisamos fazer com que nossos alunos entendam a riqueza cultural que possuem. Isso vai desde a forma como falamos até como andamos. Precisamos ensinar a cultuar aquilo que eles não entendem”, afirmou.
PROJETO TAMBÉM PODE ABRIR CAMINHOS PARA NOVOS ARTISTAS
Além de ampliar o conhecimento dos alunos sobre a história e a cultura da região, a iniciativa pretende aproximar os jovens do mercado cultural e das possibilidades profissionais ligadas à economia criativa.
As oficinas podem representar o primeiro contato de muitos estudantes com técnicas artísticas e estratégias para transformar habilidades culturais em oportunidades de geração de renda.
A proposta, dessa forma, reúne educação, valorização da identidade regional e incentivo à formação de novos artistas amazonenses, permitindo que os estudantes conheçam manifestações tradicionais e descubram possibilidades de atuação no setor cultural.
CONFIRA AS 15 ESCOLAS CONTEMPLADAS PELO PROJETO
Em Manaus:
CETI Elisa Bessa Freire
CETI Cinthia Regia Gomes do Livramento
EETI Eng.º Prof. Sergio Alfredo Pessoa Figueiredo
EETI Prof. Garcitylzo do Lago e Silva
EE Prof.ª Tereza Siqueira Tupinambá
EETI Dra. Zilda Arns Neumann
EETI Áurea Pinheiro Braga
EE Maria de Lourdes Rodrigues Arruda
EETI Marcantonio Vilaça I
EE Cacilda Braule Pinto
EE Altair Severiano Nunes
EETI Gilberto Mestrinho de Medeiros Raposo
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NO INTERIOR DO AMAZONAS:
CETI Glaucio Gonçalves, em Parintins
CETI Maria Eva dos Santos, em Presidente Figueiredo
EETI Maria Izabel Ferreira Xavier Desterro e Silva, em Iranduba