Iniciativa da Embrapa e Coopervap entra em sua terceira fase, com um olhar especial na conservação do solo
Um novo capítulo começou a ser escrito nos cerrados do Noroeste de Minas. O projeto Mais Leite Saudável, uma parceria de sucesso entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap), acaba de iniciar sua terceira fase, e os produtores familiares da região são os grandes protagonistas dessa história.
Agora, uma rede de 150 propriedades rurais vai receber a visita de uma equipe de cinco especialistas, três veterinários e dois agrônomos. Eles não vão só dar palpite. Eles vão rolar as mangas e trabalhar junto com o produtor, seguindo um modelo que já mostrou resultado desde 2020. O treinamento dessa turma nova aconteceu em outubro, e as primeiras visitas técnicas já estão rolando desde o início de novembro.
O segredo está no Programa Mais Leite Saudável, do MAPA. A iniciativa oferece um incentivo fiscal para laticínios e cooperativas. Em troca de investirem no produtor rural, elas recebem descontos de até 50% em tributos federais. É um ciclo virtuoso: a indústria ganha um insumo de melhor qualidade e o homem do campo recebe tecnologia de ponta.
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José Humberto Xavier, pesquisador da Embrapa, conta que os sistemas de cultivo para alimentar o gado já deram um salto, mas ainda tem uns perrengues para resolver. “A gente precisa proteger o solo, que perde qualidade com o preparo convencional e fica compactado quando pisa molhado. A meta é aumentar a produtividade e, ao mesmo tempo, deixar o trabalho no campo menos penoso com a mecanização certa”, explica ele.
Já Carlos Eduardo Santos, analista da Embrapa, puxa a conversa para um ponto crucial: a genética do rebanho. Tradicionalmente, o produtor repõe o rebanho comprando animais de fora, o que gera custo alto e risco sanitário. “A Coopervap quer mudar esse jogo. A gente pretende implementar um programa próprio de reposição, criando os melhores animais direto aqui, baseado na nossa experiência de anos no campo”, adianta Santos.
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A nova etapa do projeto tem horizonte longo, indo até 2028. O foco é desenvolver alternativas na agricultura de conservação, oferecer suporte técnico para o melhoramento genético via inseminação artificial e, claro, espalhar os bons resultados para ainda mais agricultores. A receita para um leite mais saudável e uma região mais desenvolvida passa, necessariamente, por investir em quem está na linha de frente.
Fonte:Agro em Campo