Estrutura inédita injeta gás carbônico sobre a floresta para prever como o aquecimento global poderá afetar a Amazônia e o clima do planeta.
No coração da Floresta Amazônica, cientistas brasileiros e britânicos instalaram uma estrutura inédita que promete revelar como a maior floresta tropical do mundo reagirá às mudanças climáticas nas próximas décadas. O projeto, chamado AmazonFACE, utiliza tecnologia de ponta para reproduzir, em ambiente aberto, a atmosfera prevista para o futuro.
A cerca de 100 quilômetros de Manaus, seis grandes anéis formados por torres metálicas de 40 metros de altura liberam dióxido de carbono (CO?) diretamente sobre a copa das árvores. O objetivo é simular as concentrações de gases de efeito estufa esperadas entre 30 e 50 anos à frente e observar como a vegetação responde a esse novo cenário.
Cada anel possui aproximadamente 30 metros de diâmetro e integra uma complexa estrutura composta por 16 torres de alumínio fabricadas em Campinas (SP). O transporte até a Amazônia exigiu uma operação logística que durou cerca de 15 dias.
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Segundo os pesquisadores, o experimento permitirá acompanhar praticamente todos os processos da floresta, desde a fotossíntese das árvores até o crescimento das raízes e a troca de água e carbono com a atmosfera.
As informações coletadas serão enviadas para sistemas de computação capazes de projetar os efeitos das mudanças climáticas em larga escala, ajudando a prever o comportamento da Amazônia nas próximas décadas.
O projeto é coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, em parceria com o governo do Reino Unido.
Uma das principais preocupações dos cientistas é entender se o aumento da concentração de dióxido de carbono poderá reduzir a quantidade de vapor d'água liberada pelas árvores, comprometendo a formação das chamadas "chuvas amazônicas".
Além de influenciar o clima da região Norte, a floresta desempenha papel essencial no regime de chuvas de outras partes do Brasil. De acordo com os pesquisadores, entre 30% e 50% das precipitações registradas nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul têm origem na umidade produzida pela Amazônia, transportada pelos chamados "rios voadores".
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Para os cientistas, compreender como a floresta reagirá ao aumento das temperaturas e do CO? é fundamental para orientar políticas públicas, proteger a biodiversidade e garantir a segurança hídrica, energética e alimentar das futuras gerações.