Divergências sobre impeachment de ministro do STF e foco das pautas marcam organização do protesto.
O protesto bolsonarista marcado para este domingo (1º), na Avenida Paulista, em São Paulo, chega à véspera cercado por divergências internas e indefinições sobre sua pauta central. Convocado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) sob o slogan “Acorda, Brasil”, o ato inicialmente foi divulgado com o mote “Fora, Lula, Moraes e Toffoli”, o que provocou reações dentro do próprio campo conservador.
Uma ala do bolsonarismo avalia que não é estratégico priorizar, neste momento, o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli. Para esse grupo, a mobilização deveria concentrar esforços na defesa da anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e na situação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Questionado sobre o tema, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que a pauta anunciada por Nikolas é pública e que cada participante terá liberdade para adotar o tom que considerar adequado. Ele declarou ser favorável ao impeachment de qualquer autoridade que tenha cometido crime, mas ponderou que os processos não avançam com facilidade no Congresso.
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ORGANIZAÇÃO E CUSTOS
O ato está previsto para começar às 14h, com trio elétrico posicionado na esquina da avenida Paulista com a rua Peixoto Gomide. Segundo o deputado estadual Tomé Abduch (Republicanos), um dos organizadores, o custo estimado da manifestação é de cerca de R$ 130 mil, valor arrecadado por meio de financiamento coletivo.
Abduch afirmou que os participantes terão autonomia para defender suas posições, desde que respeitem as instituições. O pastor Silas Malafaia, que divulgou vídeo replicando as pautas iniciais, declarou que não há controle prévio sobre os discursos e que cada liderança decidirá o que abordar.
PRESENÇAS POLÍTICAS E TENSÃO NOS BASTIDORES
Além de Flávio Bolsonaro, são esperadas as presenças dos governadores Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (PSD-GO), ambos cotados como presidenciáveis. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não participará por estar em viagem oficial à Alemanha.
Nos bastidores, aliados relatam preocupação com possível caracterização de propaganda eleitoral antecipada, motivo pelo qual alguns participantes teriam buscado orientação jurídica.
O clima interno ficou mais tenso após declarações do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), que criticou o apoio de Nikolas e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro à pré-campanha de Flávio. A troca de críticas entre apoiadores nas redes sociais evidenciou um racha que, segundo interlocutores, já vinha se desenhando há algum tempo.
PAUTAS OFICIAIS
De acordo com texto divulgado por Abduch, o ato terá seis eixos principais: “liberdade aos presos políticos”, “harmonia entre os Poderes”, “combate à corrupção”, “contra o aumento de impostos”, “contra prejuízos das estatais” e “contra o aumento da criminalidade”.
Questionado sobre a ausência de menção explícita ao afastamento de Toffoli, o organizador afirmou que o tema estaria incluído dentro do eixo de combate à corrupção.
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Assim, o protesto chega ao domingo sob expectativa de adesão e também sob o desafio de conciliar diferentes prioridades dentro do próprio campo político que o organiza.