Manifestantes denunciam impactos ambientais e cobram consulta prévia a povos indígenas sobre projeto nos rios do Pará
Indígenas e integrantes de movimentos sociais realizaram, na noite de sexta-feira (20), um protesto em frente ao escritório da multinacional Cargill, na avenida Dr. Chucri Zaidan, zona sul de São Paulo. O ato foi organizado em apoio aos povos do Baixo Tapajós, no Pará, que contestam o plano federal de inclusão de trechos hidroviários no Programa Nacional de Desestatização (PND).
Durante a manifestação, participantes bloquearam duas vias de acesso ao prédio e pintaram as portas com as mãos, em referência ao que chamam de “sangue indígena derramado” por grandes empreendimentos na Amazônia e em outros biomas.
A mobilização ocorre paralelamente à ocupação iniciada em 22 de janeiro na sede da empresa em Santarém. Segundo os manifestantes, 14 povos indígenas do oeste do Pará protestam contra o decreto nº 12.600/2025, que incluiu trechos dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins no PND.
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A ativista Txai Suruí afirmou que o objetivo do ato na capital paulista foi demonstrar solidariedade às comunidades do Pará. “Não podemos permitir que empresas lucrem com a destruição dos nossos rios enquanto os povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas ficam apenas com os impactos”, declarou.
DISPUTA JUDICIAL E REAÇDO GOVERNO
A ocupação em Santarém tem sido alvo de decisões judiciais. Na última semana, a Justiça Federal determinou a desocupação das vias de acesso ao complexo portuário da cidade, decisão contestada pelo Ministério Público Federal (MPF). O órgão recorreu, alegando risco à integridade física dos manifestantes e ausência de mediação adequada, mas a ordem de retirada voltou a valer após nova decisão.
Na quinta-feira (19), cerca de 400 indígenas também interceptaram balsas que transportavam grãos no rio Tapajós. Segundo os manifestantes, as embarcações pertenciam à Cargill, o que foi negado pela empresa. Procurada, a companhia não comentou o protesto realizado em São Paulo.
Em nota, o governo federal afirmou que o decreto não autoriza obras nem privatiza a hidrovia do rio Tapajós, limitando-se à realização de estudos técnicos sobre eventual concessão de serviços de navegabilidade. A gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também declarou que qualquer decisão dependerá do cumprimento de exigências legais, ambientais e da realização de consulta livre, prévia e informada às comunidades afetadas, conforme prevê a Convenção 169 da OIT.
Apesar das reuniões com representantes do governo e da suspensão, no último dia 6, da licitação para dragagem do rio Tapajós, os povos indígenas afirmam que as medidas são insuficientes. O Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita) reivindica a revogação do decreto e a publicação formal dos atos no Diário Oficial.
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O projeto de hidrovias já havia sido alvo de críticas durante a COP30, realizada em Belém, e segue como ponto de tensão entre comunidades tradicionais, governo federal e setores do agronegócio.