Em discurso, Putin nega anexação da Crimeia, acusa Ucrânia de golpe e ameaça tomar Donbas pela força caso Kiev não recue
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, voltou a defender a atuação de Moscou na Crimeia, endurecendo o tom sobre a guerra na Ucrânia, em meio a novas tratativas por um acordo de paz. Em entrevista, divulgada nesta quinta-feira (4/12), ele afirmou que a Rússia “não anexou a Crimeia”, mas “auxiliou um povo ameaçado após um golpe de Estado em Kiev”.
Segundo ele, os moradores da península reconheceram pertencer à Ucrânia após o fim da União Soviética, mas não desejavam viver sob “ameaças de represálias”. O russo também rejeitou a ideia de que o interesse russo estaria ligado ao porto estratégico da Crimeia. “Não havia necessidade de tomar o porto. Nossa Marinha estava estacionada lá em virtude de um acordo com a Ucrânia, isso é um fato”, afirmou.
No mesmo pronunciamento, reforçou que Moscou tomará toda a região de Donbas “pela força das armas”, caso a Ucrânia não retire suas tropas. Putin declarou que Moscou assumirá o controle total de Donetsk e Luhansk, caso Kiev não recue. “Ou libertamos esses territórios pela força das armas, ou as tropas ucranianas deixam esses territórios”, ressaltou.
Veja também
_12.26.18_11a11a4f.jpg)
Senadores dos EUA apresentam medida para travar possível ataque à Venezuela
Sequestro e mergulho fantasma: sete teorias bombásticas sobre o desaparecimento do MH370
Atualmente, a Rússia controla 19,2% da Ucrânia, incluindo Luhansk, mais de 80% de Donetsk e partes de Kherson, Zaporizhzhia, Kharkiv e Sumy. Cerca de 5 mil km² de Donetsk seguem sob controle ucraniano.

Foto: Reprodução
Recentemente, Moscou anunciou a captura das cidades estratégicas de Pokrovsk e Vovchansk, no leste da Ucrânia. Kiev contesta e acusa a Rússia de inflar ganhos militares em um momento de desgaste nas defesas ucranianas.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
Em paralelo às declarações, o Kremlin confirmou que as tratativas sobre um possível acordo de paz estão ocorrendo exclusivamente entre Rússia e Estados Unidos, sem participação europeia. “A comunicação está ocorrendo somente entre Washington e Moscou”, disse o assessor Yuri Ushakov.
Fonte: Metrópoles