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Putin recebe enviado dos EUA dias antes de prazo imposto por Trump para trégua na Ucrânia
Foto: Reprodução

Dois dias antes do prazo anunciado por Donald Trump para que a Rússia aceite uma trégua na guerra contra a Ucrânia, o presidente russo, Vladimir Putin, reuniu-se no Kremlin com o americano Steve Witkoff. Esta é a quinta vez neste ano que o enviado de Trump visita Moscou para negociar o conflito — uma tarefa que não promete ser fácil. Horas antes do encontro desta quarta-feira, a Rússia atingiu uma instalação de gás na região ucraniana de Odessa, em uma alegada tentativa de minar os preparativos do país para o inverno.

 

Breve trecho em vídeo divulgado pelo Kremlin mostrou Putin sorrindo e cumprimentando Witkoff com um aperto de mão caloroso, enquanto Yuri Ushakov, assessor de política externa do presidente russo, observava ao fundo, atrás de uma mesa oval de reuniões. Embora Putin tenha afirmado que não abandonará sua campanha na Ucrânia, pessoas a par da situação disseram que o Kremlin poderia oferecer concessões aos EUA, possivelmente incluindo a suspensão de ataques aéreos, numa tentativa de evitar novas penalidades econômicas.

 

Em todas as visitas anteriores, Witkoff manteve longas conversas com o próprio Putin, recebendo acesso extraordinário a um líder que, desde a invasão da Ucrânia, em 2022, encontrou-se com poucos representantes do Ocidente e raramente concedeu audiência a estrangeiros que não sejam chefes de Estado. Amigo pessoal de longa data de Trump, Witkoff ocupa agora o cargo de enviado especial para missões de paz.

 

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Seus encontros com o mandatário russo ajudaram a viabilizar trocas de prisioneiros que libertaram dois americanos detidos na Rússia e abriram caminho para telefonemas entre Putin e Trump. Mas nenhum deles trouxe sinais claros de avanço para acabar com a guerra na Ucrânia, uma das principais prioridades da política externa de Trump, que recentemente parece ter mudado de postura: se inicialmente a pressão do republicano foi concentrada em Volodymyr Zelensky, agora ele tem demonstrado crescente frustração com Putin.

 

O presidente russo tem buscado agradar e manter o diálogo com Trump, mas sem demonstrar disposição para ceder em seus amplos objetivos na guerra. Ao mesmo tempo, bombardeios russos com drones contra cidades ucranianas — e as imagens de destruição resultantes — teriam causado forte impressão no americano, segundo pessoas próximas a ele. Isso teria feito ele passar a apostar publicamente que os crescentes problemas econômicos de Putin acabarão forçando o líder a encerrar a invasão da Ucrânia, que já dura quase quatro anos.

 

— Se a energia cair o suficiente, Putin vai parar de matar pessoas — disse Trump em entrevista à CNBC na terça-feira, menos de uma semana após afirmar que daria a Moscou de 10 a 12 dias para encerrar o conflito, sob pena de enfrentar uma nova rodada de sanções.

 

CÁLCULOS POLÍTICOS

 

O presidente americano tem ameaçado impor as chamadas “sanções secundárias” a compradores de energia russa para aumentar a pressão sobre Putin. É uma aposta arriscada, como descobriu o governo Joe Biden. Penalizar compradores de petróleo russo sem provocar turbulências no mercado global exige um cálculo delicado, que pode prejudicar tanto aliados quanto adversários. O próprio Trump já expressou ceticismo sobre a eficácia das sanções, chamando os russos de “figuras astutas” que são “muito bons em evitá-las”.

 

O republicano já propôs punições mais duras contra a Rússia antes, mas recuou para preservar negociações. Agora, caso Witkoff não consiga um improvável acordo de paz, Trump enfrentará maior escrutínio ao decidir se cumprirá sua ameaça. Se Putin conseguir mais uma trégua em relação a sanções mais duras, isso pode reforçar a narrativa, presente entre alguns investidores, de que “Trump sempre recua” — uma aposta originalmente ligada às ameaças tarifárias do presidente — e enfraquecer sua autoimagem de pacificador.

 

Por outro lado, caso Trump leve adiante a ameaça de sanções, punir compradores de petróleo russo colocará em risco as já delicadas relações com duas das maiores economias do mundo: China e Índia. Trump tem trocado farpas com a Índia há vários dias e, na manhã de terça, disse que imporia novas tarifas “nas próximas 24 horas” — além da alíquota atual de 25% —, já que autoridades indianas têm mantido as compras de energia russa e classificado as críticas americanas como injustificadas. Punir a China por suas compras de energia russa poderia atrapalhar a tentativa de estender a trégua tarifária com Pequim.

 

Zelensky conversou com Trump na terça-feira, classificando a ligação como “produtiva” e alertando para a intensificação dos ataques russos. A Casa Branca confirmou o telefonema, mas não forneceu mais detalhes. Segundo a imprensa local, autoridades ucranianas também esperam receber o enviado americano Keith Kellogg em Kiev até o fim da semana.

 

Alguns governos europeus seguem preocupados com a possibilidade de Witkoff adotar uma postura mais complacente com Putin, já que ele tem sido o integrante da administração mais disposto a ouvir o líder russo, disse um diplomata europeu, que pediu anonimato por não ter autorização para falar publicamente. Há também receio de que o objetivo da Rússia seja prolongar a guerra na Ucrânia o máximo possível sem sofrer punições dos EUA.

 

As forças de Putin têm avançado no terreno e submetido a Ucrânia, nos últimos meses, a alguns dos ataques aéreos mais intensos da guerra. A ONU informou que junho registrou o maior número de vítimas civis em um único mês nos últimos três anos — com 232 mortos e 1.343 feridos — e que dados preliminares indicam que “esse padrão alarmante” se manteve em julho.

 

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Durante a madrugada, a Rússia voltou a atacar a Ucrânia com drones. Um resort de férias na região de Zaporizhzhia, no sudeste do país, foi atingido, matando duas pessoas e ferindo 12, incluindo crianças, segundo autoridades ucranianas.

 

Fonte: O Globo

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