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QUANDO O VOTO NÃO BASTA: Giselle Falcone, Flávio Pascarelli e o respeito que permanece
Foto: Reprodução

Giselle Falcone e Flávio Pascarelli

*Por Antônio Zacarias - Há resultados que se explicam pelas regras. Outros, embora perfeitamente compreensíveis dentro delas, deixam perguntas, sentimentos e reflexões pelo caminho.

 

A escolha da lista tríplice pelo Tribunal de Justiça do Amazonas para a vaga destinada à advocacia, pelo Quinto Constitucional, é um desses episódios.

 

Não cabe a mim questionar a legitimidade da decisão do Tribunal. As instituições têm suas competências, os procedimentos seguem regras próprias e as escolhas realizadas dentro da legalidade devem ser respeitadas.

 

Contudo, respeitar uma decisão institucional não significa renunciar à sensibilidade nem ignorar o impacto humano e emocional produzido pelos fatos.

 

Há, nesse contexto, uma realidade que não pode ser desprezada: a Dra. Giselle Falcone foi a candidata mais votada pela advocacia amazonense na eleição realizada pela OAB-AM. Isso tem significado. E como tem!

 

A votação recebida por Giselle representa a manifestação de seus pares, o reconhecimento de uma parcela expressiva da advocacia à sua trajetória profissional e a confiança depositada em seu nome.

 

Por isso, embora não tenha figurado na lista tríplice escolhida pelo Tribunal, sua expressiva votação permanece como um registro importante e incontestável desse processo.

 

É preciso reconhecer esse fato com serenidade, justiça e respeito.

 

Giselle foi companheira de vida do desembargador Flávio Pascarelli. Hoje, cada um segue seu próprio caminho. Mas determinadas histórias não deixam de existir simplesmente porque os caminhos se separaram.

 

Talvez por isso este tenha sido um momento particularmente delicado para todos os envolvidos.

 

Não faço aqui qualquer juízo sobre a decisão tomada pelo Tribunal. Muito menos pretendo transformar uma questão institucional em uma questão pessoal.

 

Manifesto apenas aquilo que considero justo e humanamente necessário: solidariedade.

 

À Dra. Giselle, pela frustração natural de quem recebeu a maior votação de seus colegas e, mesmo assim, não viu seu nome figurar entre os três escolhidos.

 

Ao desembargador Flávio Pascarelli, pela circunstância humana de acompanhar uma pessoa que fez parte de sua história atravessar um momento como este.

 

A política, a Justiça e as instituições são feitas de decisões. Mas aqueles que delas participam são feitos de sentimentos.

 

Não existe nenhuma contradição em defender o respeito às instituições e, ao mesmo tempo, demonstrar solidariedade às pessoas. É perfeitamente possível fazer as duas coisas. Mais do que possível, é necessário.

 

O Quinto Constitucional foi criado para aproximar a advocacia e o Ministério Público dos tribunais, levando à magistratura experiências e visões de profissionais que viveram outras dimensões do Direito.

 

Por isso, a participação da advocacia nesse processo não pode ser tratada como uma formalidade menor.

 

A escolha final dos nomes é institucional, mas a origem das candidaturas está na confiança depositada pelos próprios advogados.

 

Giselle recebeu essa confiança. Foi a mais votada. E não há como apagar ou diminuir o significado desse resultado.

 

Não sei quais sentimentos existem no coração de cada pessoa envolvida neste episódio. Nem me cabe especular.

 

Sei apenas aquilo que posso afirmar publicamente: tenho estima e admiração pela Dra. Giselle Falcone e respeito sua trajetória profissional.

 

Por essa razão, não poderia assistir a este momento em silêncio.

 

À Dra. Giselle, deixo meu reconhecimento e minha solidariedade. Ao desembargador Flávio Pascarelli, meu respeito. E ao Tribunal de Justiça do Amazonas, o devido respeito institucional.

 

A democracia também é isso: compreender que nem sempre o resultado que esperamos será aquele que prevalecerá.

 

Não podemos, entretanto, ignorar que, acima de qualquer lista, cargo ou disputa, existem pessoas.

 

E pessoas merecem respeito, sobretudo nos momentos em que os resultados não correspondem às expectativas.

 

* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.

 

Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.

 

Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.

 

Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.

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