84% dos vídeos não levavam em consideração os diferentes tipos de pele, enquanto 32% prometiam resultados instantâneos
Uma pesquisa apresentada no Congresso da Academia Europeia de Dermatologia e Venereologia (EADV) apontou que quase 95% dos vídeos virais sobre cuidados com a pele coreanos e a chamada “pele de vidro” no TikTok apresentam pelo menos uma informação potencialmente enganosa. O levantamento analisou conteúdos publicados na plataforma e avaliou a qualidade das orientações dermatológicas oferecidas aos usuários.
Para realizar o estudo, os pesquisadores utilizaram uma conta neutra, sem histórico de interações, e selecionaram os vídeos mais populares relacionados a cinco termos de busca sobre cuidados coreanos com a pele. Após os critérios de exclusão, 38 vídeos foram analisados quanto às informações dermatológicas, segurança, qualidade e confiabilidade.
Os resultados mostraram que 84% dos vídeos não levavam em consideração os diferentes tipos de pele, enquanto 45% incentivavam combinações de vários ingredientes ativos sem apresentar orientações adequadas de segurança. Outros 32% prometiam resultados instantâneos. Além disso, nenhum dos conteúdos analisados citava fontes ou referências externas.
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A ausência de alertas também chamou a atenção dos pesquisadores. Apenas um dos 38 vídeos mencionou o risco de irritação e somente dois falaram sobre proteção solar. Nenhum abordou o risco de dermatite de contato ou recomendou procurar um dermatologista. Quase 82% dos vídeos haviam sido produzidos por influenciadores sem formação médica, enquanto nenhum foi produzido por dermatologistas.
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Os pesquisadores ressaltaram que o problema não está nos produtos coreanos em si, mas na transformação de princípios de cuidados com a pele em rotinas padronizadas e virais, muitas vezes sem considerar as características individuais de cada pessoa. A combinação exagerada de ativos pode aumentar o risco de irritação, esfoliação excessiva, agravamento da acne e danos à barreira da pele, segundo os autores do estudo.