Enquanto milhares de pacientes aguardam angustiados em leitos de hospitais por uma segunda chance de viver, um dado alarmante e revoltante vem travando o sistema de saúde do país. A taxa média de recusa das famílias em autorizar a doação de órgãos de entes queridos com morte encefálica estacionou na casa dos 45% no Brasil.
O número significa que, praticamente a cada duas famílias abordadas por equipes médicas em um momento de dor extrema, uma acaba virando as costas para o pedido e diz um "não" definitivo, enterrando junto a esperança de quem está na fila do transplante.
Especialistas e órgãos de saúde reforçam que a negativa familiar continua sendo o principal obstáculo para salvar vidas no país, superando inclusive a falta de infraestrutura de hospitais ou problemas na logística de transporte de órgãos.
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O QUE LEVA A FAMÍLIA A RECUSAR?
De acordo com os especialistas ouvidos no levantamento, o tabu, a desinformação e o choque do luto são os grandes vilões dessa história:
Falta de diálogo em vida: A grande maioria das pessoas nunca avisa claramente aos familiares que deseja ser doadora de órgãos. Quando o pior acontece, o parente, em prantos e sem saber o desejo real do falecido, prefere recusar por medo ou incerteza.
Mitos e preconceitos: Histórias falsas sobre mutilação do corpo, venda ilegal de órgãos e dúvidas sobre a confirmação real da morte encefálica ainda pesam muito na cabeça de quem está sofrendo a perda.
A dor da despedida: No momento em que o médico anuncia o diagnóstico irreversível, o impacto emocional impede muitos familiares de processarem a informação de que aquele corpo pode gerar vida para outra pessoa.
A FILA NÃO PARA DE CRESCER
Enquanto o preconceito e o silêncio vencem nos hospitais, a lista de espera por um coração, um rim, um fígado ou córneas segue lotada de pacientes que contam os dias — e às vezes as horas — para conseguir um transplante bem-sucedido.
No Brasil, a doação só pode ser feita com a autorização expressa da família, o que torna o "não" dos parentes uma sentença implacável para quem está do outro lado da ponta.
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Fica o alerta urgente das autoridades sanitárias: em meio à dor da perda, dizer "sim" à doação de órgãos é o maior ato de solidariedade humana que existe. Conversar sobre o assunto com a família hoje pode ser a diferença entre a vida e a morte amanhã!