*Por Antônio Zacarias - Diante de uma das acusações mais graves já lançadas no ambiente político amazonense, a reação de Maria Enxofre do Carmo (PL), pré-candidata ao Governo do Amazonas, foi reveladora não pelo que disse — mas pelo que escolheu não dizer.
Mesmo após o empresário da educação Waldery Areosa divulgar vídeo no qual faz uma insinuação direta envolvendo o marido da pré-candidata, Wellington Lins — citado como “dono de uma faculdade” supostamente flagrado em um motel de Manaus armado, consumindo crack e cocaína e na companhia de quatro adolescentes —, nenhum esclarecimento público foi prestado. Nem por ele, nem por ela.
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O silêncio foi absoluto.
Em vez de vir a público rebater os fatos, negar com firmeza, apresentar versão alternativa ou sequer demonstrar indignação diante de uma acusação que envolve drogas, arma de fogo e adolescentes, Maria Enxofre do Carmo optou por outro caminho: ingressou na Justiça para suprimir o vídeo. No último dia 8, um juiz plantonista determinou a retirada do conteúdo das redes sociais.
A pergunta que se impõe, portanto, não é jurídica — é política e moral: por que calar?
O que há a esconder?
Apagar um vídeo não apaga a acusação. Não responde às perguntas. Não limpa a sombra que paira sobre os citados. Apenas desloca o debate do campo público para os bastidores judiciais, enquanto a sociedade permanece sem explicações. Em casos assim, o silêncio não é neutro. Ele comunica. E comunica mal.
Quando alguém é alvo de uma acusação dessa magnitude, duas reações são esperadas: ou se exige investigação imediata para apurar a verdade, ou se reage publicamente com veemência, indignação e provas. O que não se admite é a estratégia do mutismo combinada com o uso da Justiça como mordaça.
No imaginário popular — e na leitura política inevitável — o silêncio de Maria Enxofre do Carmo e de seu marido conduz a uma suposição incômoda: a de que a denúncia feita por Waldery Areosa não foi respondida porque não pode ser enfrentada no campo da verdade.
Não se trata de condenação, mas de consequência política. Quem pleiteia governar o Amazonas não pode se esconder quando surgem acusações dessa gravidade envolvendo o núcleo familiar. Transparência não é favor — é obrigação.
Até aqui, o que se viu foi silêncio. E, como ensina o velho ditado que ecoa nas ruas do Amazonas: quem cala, consente.
O espaço segue aberto. Mas cada dia sem resposta reforça a dúvida — e enfraquece o discurso de quem pede confiança para exercer o poder.
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*Antônio Zacarias é fundador e proprietário do PORTAL DO ZACARIAS, atualmente no top 10 dos portais de notícias mais acessados do Brasil. Jornalista experiente, foi editor-geral de diversos jornais da Região Norte, com atuação destacada no Amazonas, onde dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério. Durante dois anos, atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte, a convite de Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral de O Globo. Antônio Zacarias é também autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra voltada à valorização do bom uso da língua portuguesa.