Anthony Blunt, que foi recrutado pelos soviéticos enquanto era jovem professor na Universidade de Cambridge, atuou como oficial de alto escalão do MI5 durante a Segunda Guerra Mundial
A rainha Elizabeth II não foi informada oficialmente, por quase uma década, de que um de seus colaboradores havia admitido ser um espião soviético, revelaram na terça-feira arquivos dos serviços secretos britânicos. Anthony Blunt, historiador de arte e curador das pinturas da rainha, responsável pela supervisão da Coleção Real de Arte, confessou em 1964 que havia atuado como agente soviético desde a década de 1930.
No entanto, a falecida monarca só foi informada sobre a revelação de Blunt nove anos depois, segundo documentos do serviço secreto britânico, o MI5, que serão apresentados em uma exposição nos próximos meses, em data ainda a ser definida, nos Arquivos Nacionais de Londres.
Quando a rainha finalmente foi informada sobre as décadas de engano de Blunt, ela recebeu a notícia "com muita calma e sem surpresas", conforme mostram os registros históricos.
Veja também

Coreia do Sul vai reformar pistas de vários aeroportos após acidente da Jeju Air
Famosa caverna de gelo que já matou turista brasileiro desmorona na Argentina
A decisão de informá-la oficialmente ocorreu em meio a uma crescente preocupação do governo de que a verdade pudesse ser revelada pela mídia após a morte de Blunt, que estava gravemente doente com câncer. De acordo com a história oficial do MI5, escrita por Christopher Andrew, a rainha já havia sido informada sobre o assunto "de forma mais geral" uma década antes.
Blunt, que foi recrutado pelos soviéticos enquanto era jovem professor na Universidade de Cambridge, atuou como oficial de alto escalão do MI5 durante a Segunda Guerra Mundial, repassando uma grande quantidade de informações à KGB. O espião morreu em 1983, aos 75 anos, depois de ter sido destituído de seu título de cavaleiro.
Os registros mostram que a monarca, que morreu em 2022 após um reinado recorde de sete décadas, "não tinha nenhum interesse em Blunt e raramente o via". Blunt foi finalmente exposto publicamente pela então primeira-ministra Margaret Thatcher, em uma declaração no Parlamento, em 1979.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
Os documentos do MI5 estão sendo analisados pelos Arquivos Nacionais, que planejam uma exposição sobre eles na primavera boreal, em uma data a ser definida, no oeste de Londres. A exposição também incluirá um relatório da entrevista com Blunt no momento em que ele confessou.
Fonte:O Globo