Negócio inclui atividades de refino, distribuição e venda de combustível no país vizinho e é anunciado após apresentação do plano de reestruturação financeira a credores
A Raízen anunciou há pouco a assinatura de um contrato para a venda das operações de refino, distribuição e venda de combustível na Argentina para a Mercuria Energy Group. O valor da operação é de US$ 1,42 bilhão (ou R$ 7,18 bi no câmbio atual).
Os recursos, diz a Raízen, serão destinados à "gestão da estrutura de capital da empresa, fortalecendo sua posição financeira e apoiando suas prioridades estratégicas de longo prazo". A empresa passa por uma crise diante do alto endividamento.
Ontem, a Raízen apresentou aos credores seu plano de reestruturação financeira visando a um acordo extrajudicial para reorganizar sua dívida de R$ 65 bilhões. A empresa tem até a próxima segunda-feira para fechar o acordo, no qual espera obter o apoio de mais de 70% dos credores.
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Os principais sócios da Raízen são a Shell e a Cosan — cujo controlador é o empresário Rubens Ometto, que exerce o comando por meio de seu family office Aguassanta Participações. O cerne da operação estabelece um aporte de R$ 3,5 bilhões a ser realizado pela Shell e potencial injeção adicional de R$ 500 milhões por um veículo controlado pela Aguassanta, de Ometto.
A Raízen é uma gigante que atua principalmente na produção de açúcar e etanol, distribuição de combustíveis sob a marca Shell e geração de energia. A empresa tem receita anual na casa de R$ 250 bilhões, mas nos últimos anos acumulou prejuízos e ampliou significativamente seu endividamento.
O plano de reestruturação prevê a cisão da companhia em Raízen Energia (focada nas operações de produção de açúcar e etanol) e Raízen Combustíveis (distribuição e comercialização), com segregação dos negócios prevista para o fim de 2027.
A diretoria também deverá estruturar um plano de desinvestimento para ativos não essenciais e “iniciará um processo competitivo para buscar um parceiro investidor”, ou vender ações da Raízen Combustíveis, para reduzir a alavancagem.
Na chamada “Opção A” do plano de reestruturação, 45% da dívida total reestruturada será convertida em ações mediante o recebimento pelos credores de units, compostas por uma ação ordinária e uma preferencial. Os 55% restantes serão transformados em novos instrumentos de crédito alocados na Raízen Combustíveis (37,4% do montante) e na Raízen Energia (17,6%).
Na “Opção B”, a Raízen propõe aos credores um deságio de 80% sobre o valor do crédito, com o saldo remanescente pago em parcela única em 31 de março de 2047.
A “Opção C” oferece um pagamento à vista equivalente ao menor valor entre 75% dos respectivos créditos ou R$ 9.750, com teto de R$ 150 milhões.
O Conselho de Administração da Raízen será reestruturado para ter sete membros: quatro deles, incluindo o presidente, serão nomeados pelos credores apoiadores, e três, pelo acionista contribuinte. A Shell sempre terá pelo menos um representante no colegiado enquanto o contrato de licenciamento da marca estiver vigente.
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A atual diretoria executiva será mantida, e o atual diretor financeiro, Lorival Luz, assumirá paralelamente a função de diretor de reestruturação.