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RD do Congo e Ruanda chegam a acordo de paz após décadas de conflito
Foto: Spencer Platt/Getty Images

Desde a década de 1990, RD de Congo e Ruanda enfrentavam conflitos envolvendo questões territoriais e étnicas

Após quase 30 anos de conflitos, a República Democrática do Congo (RDC) e Ruanda chegaram a um acordo de paz, com a mediação dos Estados Unidos. O pacto, firmado nesta sexta-feira (27/6) na Casa Branca, também pode colocar fim ao avanço do grupo rebelde M23 no território congolês, que já matou milhares de pessoas desde janeiro.

 

O acordo de paz, mediado pelos governos dos Estados Unidos e Catar, foi assinado pelos chanceleres da RDC e Ruanda, Therese Kayikwamba Wagner e Olivier Nduhungirehe.

 

Entre os termos do pacto estão previstos o retorno de famílias deslocadas, o respeito a integridade territorial e o fim das hostilidades entre os dois países — apesar de não estarem formalmente em guerra.

 

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Com uma história marcada por conflitos e instabilidade, a República Democrática do Congo vive um novo foco de tensão desde janeiro de 2025. A nova onda de violência envolve o grupo rebelde M23. Fundada em 2012, a organização atua, principalmente, na defesa da etnia tutsi na RDC. A etnia foi a mesma que sofreu um genocídio em Ruanda, em 1994, provocado pelos hutus. Após o episódio em Ruanda, diversos hutus se abrigaram na República Democrática do Congo tentando evitar retaliações do novo governo de tutsis.

 

O governo da Ruanda, liderado por Paul Kagame, é apontado como o principal financiador e apoiador do M23 no Congo. O atual líder ruandês faz parte da etnia tutsi. Apesar de negar, Ruanda é acusada de enviar militares para a RDC com o objetivo de lutarem ao lado de organizações insurgentes. Desde a década de 1990, os dois países estão envolvidos em conflitos esporádicos que afetaram, principalmente, a população do Congo. Além de disputas territoriais, a tensão entre os dois países envolve questões étnicas, e remontam ao genocídio de Ruanda em 1994, quando mais de 800 mil pessoas foram mortas em cem dias.

 

Na época, integrantes do grupo étnico hutus — que na época era maioria em Ruanda — promoveram a matança generalizada no país contra a minoria tutsi.

 

Depois do genocídio e do fim da tensão no país, os hutus fugiram para a República Democrática do Congo para evitar retaliações do novo governo, liderado por tutsis. Desde então, o governo ruandês de Paul Kagame é acusado de apoiar milícias armadas de tutsis, que atuam no país vizinho, como o grupo M23.

 

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Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), os anos de conflito jogaram o Congo em uma das crises humanitárias mais graves do mundo. A estimativa é de que mais de 7,3 milhões de pessoas tenham sido deslocadas internamente no país, além de 28 milhões de congoleses que enfrentam fome aguda desde então.

 

Fonte: Metrópoles

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