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Recém-nascida morre aos 10 dias após infecção por herpes simples na Inglaterra
Foto: Divulgação

Mãe relatou que tinha uma ferida nos lábios na época do parto e alerta para os riscos do vírus HSV em bebês; família busca esclarecimentos sobre o atendimento médico.

Uma recém-nascida identificada como Magnolia Brookes, chamada carinhosamente de Maggie pela família, morreu aos 10 dias de vida, na Inglaterra, após contrair o vírus herpes simples (HSV). Segundo o relato da mãe, Meg Edmonds, de 22 anos, a bebê desenvolveu complicações graves e morreu em decorrência de falência múltipla de órgãos.

 

Em entrevista ao jornal britânico Metro, Meg contou que apresentava uma lesão nos lábios na época do parto, mas não sabia que o herpes poderia representar um risco grave para a filha. A família agora busca esclarecimentos sobre a evolução do quadro e possíveis oportunidades de diagnóstico precoce.

 

De acordo com a mãe, a gravidez transcorreu sem complicações, e Magnolia nasceu de parto na água, 11 dias depois da data prevista. A menina era a segunda filha de Meg com Ben Brookes. O casal já tinha outra criança, Cordelia, que estava com 11 meses quando a gravidez foi descoberta.

 

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Os primeiros sinais de alerta surgiram poucos dias após o nascimento. Magnolia passou a dormir excessivamente e apresentava dificuldade para acordar durante as mamadas. Inicialmente, os sintomas foram associados à alimentação e à perda de peso da recém-nascida.

 

Nesse mesmo período, Meg desenvolveu feridas nos lábios e no interior da boca, além de dor de garganta. Ao rever fotografias do parto, percebeu que já tinha uma lesão labial naquele momento.

 

“Tenho fotos minhas na piscina de parto com a lesão na boca, e ela parece muito recente naquele momento. Foi apenas nas 24 horas seguintes ao parto que meus sintomas se desenvolveram muito mais, no que agora acreditamos ter sido uma infecção primária por HSV”, relatou.

 

A infecção primária acontece quando uma pessoa contrai o vírus pela primeira vez. Embora o herpes possa provocar sintomas leves ou passar despercebido em adultos, a transmissão para recém-nascidos pode causar complicações graves.

 

QUADRO DA BEBÊ SE AGRAVOU RAPIDAMENTE

 

Meg afirmou que procurou orientação médica sobre as lesões, mas recebeu explicações relacionadas a alterações hormonais e à possível desidratação durante a amamentação.

 

A mãe também começou a sentir dores intensas no mamilo direito, o que dificultou a amamentação. Na ocasião, acreditou que o desconforto tivesse sido provocado por um movimento acidental da filha mais velha. Posteriormente, passou a suspeitar de uma possível relação com o herpes.

 

Na sexta-feira, quando Magnolia tinha cinco dias, os pais perceberam que a menina demorava até meia hora para despertar e conseguir se alimentar. Durante a noite, também notaram alterações na respiração. Segundo Meg, as preocupações foram comunicadas aos profissionais de saúde.

 

Foto: Divulgação

 

A situação se tornou ainda mais grave quando a bebê completou oito dias. Magnolia apresentava a pele acinzentada, estava fria ao toque e tinha dificuldade para respirar. Os pais acionaram uma ambulância.

 

“A temperatura dela estava em 34 graus. O oxigênio estava muito baixo. E ela tinha um choro muito agudo e muito fraco. A ambulância chegou e eles claramente perceberam como ela estava doente”, contou a mãe.

 

A recém-nascida foi levada a um hospital e, devido à gravidade do quadro, transferida para o Birmingham Children’s Hospital. Na unidade, um médico observou as lesões ainda presentes nos lábios de Meg, e a equipe iniciou o tratamento antiviral contra o herpes simples antes da confirmação dos exames.

 

Apesar dos esforços médicos, Magnolia morreu na manhã de 11 de fevereiro, após desenvolver falência múltipla de órgãos.

 

“Eles foram incríveis. Tentaram fazer tudo por ela, mas já era tarde demais”, afirmou Meg, ao falar sobre os profissionais que atenderam a filha.

 

FAMÍLIA BUSCA ESCLARECIMENTOS SOBRE ATENDIMENTO

 

Após a morte da bebê, Meg e Ben passaram a buscar orientação jurídica para apurar se houve oportunidades de identificar a infecção mais cedo. Até o momento descrito no relato, possíveis falhas no atendimento não haviam sido estabelecidas.

 

A mãe afirmou que convive com um sentimento intenso de culpa, mas ressaltou que procurou ajuda diante dos sintomas que conseguiu identificar.

 

“Obviamente, sinto uma culpa insuportável, e acho que sempre sentirei, independentemente do resultado de qualquer possível processo judicial, mas tento me lembrar de que procurei ajuda. Fiz tudo o que podia com o conhecimento que tinha e, no fim das contas, confiamos nos profissionais”, declarou.

 

CAMPANHA ALERTA PARA RISCOS DO HERPES EM RECÉM-NASCIDOS

 

Meg decidiu compartilhar a história durante a Semana de Prevenção de Infecções, campanha da organização britânica The Lullaby Trust, que busca conscientizar sobre os cuidados necessários para proteger bebês, inclusive em situações de contato com familiares e visitantes.

 

Uma pesquisa divulgada pela entidade apontou que 57% dos pais e cuidadores britânicos entrevistados disseram que algum familiar já havia beijado o bebê sem pedir permissão. Outros 46% relataram desconforto em pedir que amigos e parentes lavassem as mãos antes de tocar ou segurar a criança.

 

O vírus herpes simples pode ser transmitido a recém-nascidos por contato direto com lesões infectadas. Por isso, pessoas com herpes labial devem evitar beijar bebês, especialmente recém-nascidos, e manter cuidados rigorosos de higiene. Lesões suspeitas em bebês exigem avaliação médica imediata.

 

De acordo com orientações do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS), mulheres com lesões de herpes nos mamilos não devem amamentar pela mama afetada nem oferecer ao bebê leite extraído dela enquanto as lesões estiverem presentes.

 

Para Meg, a falta de informação sobre os riscos da infecção para recém-nascidos teve consequências devastadoras para a família.

 

“Minha bebê morreu de HSV que veio de mim, mas poderia ter sido qualquer pessoa. Tudo se resume ao fato de que ninguém da nossa família ou dos nossos amigos sabia que uma ferida de herpes poderia matar um bebê, apesar de a maioria ter herpes labial regularmente”, afirmou.

 

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“Se eu soubesse que uma ferida de herpes poderia matar um bebê, minha filha ainda estaria aqui”, concluiu. 

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