Recordista em participações olímpicas de inverno, piloto baiano chega à sexta Olimpíada confiante e em sua melhor fase
Inspirado pelo clássico do cinema Jamaica Abaixo de Zero, sucesso dos anos 1990, Edson Bindilatti descobriu ainda jovem um esporte pouco conhecido no Brasil: o bobsled. Quase quatro décadas depois, o baiano natural de Camamu se tornou um dos maiores nomes da história dos esportes de inverno do país e chega aos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 com um objetivo claro: alcançar o melhor resultado já obtido pelo Brasil na modalidade.
Aos 46 anos, Bindilatti disputará sua sexta Olimpíada de Inverno entre os dias 6 e 22 de fevereiro, na Itália. Com isso, ele se tornará o recordista isolado do Brasil em participações olímpicas de inverno, superando Jaqueline Mourão, que competiu em cinco edições no esqui cross-country e no biatlo.
Assim como o personagem retratado no filme de 1993, Bindilatti iniciou sua trajetória esportiva no atletismo. Adotado ainda criança e criado em Santo André, no Grande ABC paulista, ele foi campeão brasileiro e sul-americano de decatlo. Apesar do destaque nas pistas, o sonho de disputar uma Olimpíada de Verão não se concretizou, mas abriu caminho para um convite decisivo da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG), no início dos anos 2000.
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“A maioria dos atletas do bobsled vem do atletismo, por causa da velocidade, da força e da explosão muscular”, explicou o piloto. O primeiro contato com o esporte foi marcado por medo e surpresa ao encarar uma pista congelada a mais de 140 km/h, mas rapidamente o baiano se apaixonou pela modalidade.
Em 2002, Bindilatti realizou o sonho olímpico ao disputar os Jogos de Inverno de Salt Lake City, na estreia do Brasil no bobsled olímpico. Desde então, ele esteve presente também em Turim-2006, Sochi-2014, PyeongChang-2018 e Pequim-2022. Na China, a equipe brasileira alcançou seu melhor desempenho até então, terminando na 20ª colocação após se classificar para as finais.
“Competimos com trenó alugado e lâminas emprestadas, mas mostramos que a preparação física estava lá. O que faltava era material”, relembrou Bindilatti.
Após Pequim, o piloto chegou a anunciar aposentadoria, mas voltou atrás em 2024 atendendo a um pedido da CBDG, que temia não conseguir a classificação olímpica sem seu atleta mais experiente. A decisão se mostrou acertada. Com um trenó moderno adquirido junto a uma fabricante da Letônia, avaliado em cerca de R$ 350 mil, o Brasil alcançou o 13º lugar no Mundial de 2025 melhor resultado da história e garantiu vaga olímpica ao ficar em quarto lugar na Copa América.
Na Itália, Bindilatti liderará o trenó brasileiro ao lado de Davidson de Souza, Luís Bacca, Rafael Souza e Gustavo Ferreira, que será o reserva. “Chego na minha melhor forma física e mental. Vamos tentar fazer um grande resultado”, afirmou o piloto, evitando projeções específicas.
Além da busca por resultados, Bindilatti já planeja o futuro fora das pistas. Ele pretende seguir ligado ao bobsled como formador de atletas e desenvolvedor da modalidade no país. Um dos projetos em andamento é a construção de uma pista de treino de largada em São Caetano do Sul, iniciada em 2020 com recursos arrecadados pelos próprios atletas.
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Para concluir a obra, ainda faltam cerca de R$ 700 mil. “Queremos começar um trabalho de base, com iniciação esportiva e impacto social. Seria muita maldade me afastar de um esporte pelo qual lutamos tanto”, concluiu o recordista olímpico.