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Rede pró-Rússia usa falsas acusações de estupro para atrair usuários a canais de propaganda
Foto: Keti Leshkasheli via BBC

Canais ussos no Telegram usam falsas acusações de estupro e imagem de mulheres ucranianas para atrair milhões de usuários a redes de propaganda favoráveis à guerra

Uma rede de propaganda favorável à Rússia passou a usar fotos reais de mulheres que serviram ou ainda servem nas Forças Armadas da Ucrânia para divulgar falsas acusações de estupro e violência sexual. As publicações são feitas principalmente no Telegram e prometem vídeos que supostamente comprovariam os abusos, mas os links direcionam os usuários para canais privados alinhados ao governo russo.

 

Entre as vítimas está Keti Leshkasheli, médica da Geórgia que atuou como paramédica militar na Legião Internacional da Ucrânia. Depois de retornar da linha de frente, ela descobriu que uma fotografia sua, feita quando estava de uniforme em Avdiivka, era usada em publicações que afirmavam falsamente que ela havia sido capturada e estuprada.

 

Uma investigação identificou imagens de mais de 20 mulheres utilizadas nesse tipo de conteúdo. Muitas delas são militares ou ex-militares ucranianas. As publicações acumulavam mais de 65 milhões de visualizações e utilizavam títulos com acusações de violência, tortura e outros crimes para provocar choque e aumentar o número de acessos.

 

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Depois que os usuários clicavam nas publicações, porém, não encontravam as imagens prometidas. Os links levavam a canais que reproduzem conteúdos favoráveis à guerra e à Rússia. Alguns desses canais também divulgam mensagens contra a Ucrânia, a União Europeia e o Reino Unido, além de conteúdos com insultos étnicos e linguagem violenta.

 

Leshkasheli serviu como paramédica militar na Legião Internacional da Ucrânia e foi condecorada pelo presidente Volodymyr Zelensky em 2025 — Foto: Keti Leshkasheli via BBC

Foto: Keti Leshkasheli via BBC

 

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A rede também movimenta dinheiro com publicidade. Um dos canais informou cobrar pelo menos 500 mil rublos, cerca de R$ 29,9 mil, por anúncio. Mais de 6,5 mil publicações enganosas foram identificadas durante a investigação, sendo que quase 5,4 mil foram posteriormente removidas. Mesmo assim, novas contas continuam aparecendo, muitas delas com sinais de automação e textos repetidos. 

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