Uma nova era para o mercado de iGaming no Brasil: 7 previsões para o ano
O setor de iGaming no Brasil entrou em uma fase de transformação. Com a entrada em vigor das novas regulamentações em janeiro de 2025—incluindo um imposto de 12% sobre a receita bruta de jogos (GGR), uma taxa de licenciamento de R$30 milhões e medidas rigorosas de compliance—o mercado passou por uma grande mudança. Embora os primeiros meses tenham sido marcados por uma queda temporária na receita e na atividade dos jogadores, os dados de fevereiro indicam uma recuperação gradual, com os operadores licenciados ganhando força novamente.
Mas para onde o mercado vai a partir daqui? Com anos de experiência analisando mudanças regulatórias em mercados-chave como Reino Unido, Estados Unidos e Alemanha, podemos prever os próximos passos do setor de iGaming no Brasil. Grandes players, como Gambling.com, já estão de olho no mercado da América Latina, apostando no potencial de crescimento regulado. Aqui estão sete previsões para 2025.
1. Operadores regulamentados terão crescimento sustentável de receita
Apesar de um início de ano lento, os operadores licenciados estão bem posicionados para um crescimento de longo prazo. Com sites não licenciados sendo bloqueados e o processo de re-registro concluído, marcas como Betano e Bet365 estão intensificando seus esforços de marketing. À medida que a confiança dos jogadores em plataformas regulamentadas aumenta, a receita crescerá gradualmente, possivelmente ultrapassando os níveis pré-regulamentação até o terceiro trimestre.
No entanto, para manter o engajamento dos jogadores, os operadores precisarão ir além das estratégias de aquisição e investir em retenção. Programas VIP mais robustos, ofertas personalizadas e experiências gamificadas serão essenciais. Até meados de 2025, a Base Competitiva de Ganhos (CEB) do Brasil deverá retornar aos níveis do quarto trimestre de 2024, impulsionada pelos principais operadores.
2. Estratégias de marketing focarão na confiança, retenção e gamificação
Com menos marcas ativas e verificações de jogadores mais rígidas, as estratégias de marketing mudarão de táticas agressivas de aquisição para um foco maior na retenção. Operadores precisarão implementar mecânicas de fidelidade, desafios e recompensas dentro do jogo para manter os jogadores engajados.
Experiências gamificadas, como rankings, conquistas e bônus baseados em marcos, substituirão as tradicionais ofertas de depósito único. Marcas que priorizarem experiências interativas em vez de promoções baseadas apenas em bônus verão um aumento no valor de vida útil dos jogadores (Lifetime Value – LTV) e na retenção.
3. Operadores locais dominarão o mercado—aproveitando parcerias com clubes, como a do Botafogo
As marcas licenciadas no Brasil já controlam 95% do mercado, e essa tendência deve continuar. Operadores internacionais sem licença local terão dificuldades para competir, enquanto empresas nacionais consolidarão sua participação com parcerias estratégicas com clubes de futebol.
Um exemplo claro dessa tendência é o acordo de patrocínio do Botafogo, que posicionou o clube como um dos mais atraentes para marcas de iGaming. A histórica dobradinha do Botafogo em 2024—conquistando tanto a Copa Libertadores quanto o Campeonato Brasileiro Série A—fortaleceu seu status como um dos principais clubes da América do Sul. Isso gerou um aumento no interesse comercial, com operadores de iGaming disputando espaço nas camisas, plataformas digitais e no estádio do clube.
Até o final de 2025, operadores licenciados no Brasil poderão representar mais de 97% da atividade total do mercado, consolidando sua dominância. Marcas que conseguirem integrar-se à cultura futebolística brasileira terão uma vantagem decisiva na aquisição e no engajamento dos jogadores.
4. Marcas de apostas se integrarão à cultura esportiva do Brasil
O futebol continua sendo o coração do mercado de apostas no Brasil. Com o retorno do Campeonato Brasileiro Série A e da Copa do Brasil em abril, grandes operadores buscarão parcerias oficiais com clubes, ligas e emissoras de mídia. Espera-se que marcas de apostas estejam ainda mais presentes em camisas de times, painéis de estádios e patrocínios de jogos.
Além disso, clubes da Série A podem introduzir experiências exclusivas de apostas para torcedores, como promoções personalizadas, odds aprimoradas para fãs e desafios de engajamento. O sucesso do Botafogo em 2024 já demonstrou o potencial comercial dessas parcerias, e outros clubes devem seguir o mesmo caminho.
5. Aplicação mais rígida contra operadores não regulamentados
O governo brasileiro já tomou medidas para bloquear sites de apostas não licenciados e provedores de pagamento não autorizados. No segundo semestre de 2025, prevemos uma fiscalização ainda mais rigorosa, com multas e possíveis ações criminais contra operadores não regulamentados—sejam eles locais ou internacionais.
Mais sites offshore serão adicionados à lista negra, enquanto os operadores licenciados enfrentarão maior escrutínio para garantir conformidade com as leis tributárias e de proteção ao consumidor. Como resultado, operadores menores e não conformes podem ser eliminados, consolidando ainda mais o mercado ao redor das grandes marcas licenciadas.
6. Verificação de jogadores e experiência do usuário se tornarão diferenciais-chave
Com requisitos mais rigorosos de Know Your Customer (KYC), a velocidade e a eficiência da verificação de jogadores impactarão diretamente as taxas de conversão. Operadores que oferecerem um processo de cadastro ágil—com verificação instantânea de documentos via inteligência artificial—superarão concorrentes que possuem processos mais lentos e complicados.
Em um mercado onde a experiência do usuário afeta diretamente a retenção, marcas que otimizarem o cadastro não só melhorarão sua Acquisition Power Score (APS), mas também fortalecerão a fidelidade dos clientes a longo prazo.
Além disso, soluções de pagamento otimizadas, como saques mais rápidos e opções de depósito localizadas, serão diferenciais essenciais. Operadores que simplificarem as transações sem comprometer a conformidade regulatória terão taxas de retenção mais altas.
7. O modelo regulatório do Brasil pode influenciar outros mercados da América Latina
A regulamentação do iGaming no Brasil está sendo observada de perto em toda a América Latina. Países como Argentina, Colômbia e Chile podem adotar estruturas tributárias e de licenciamento semelhantes. Se o Brasil conseguir equilibrar crescimento do setor com proteção ao consumidor, poderemos ver um efeito cascata na região.
Até o final de 2025, pelo menos dois outros países latino-americanos devem implementar modelos regulatórios inspirados no Brasil, legitimando ainda mais o iGaming na região. Isso pode criar novas oportunidades para marcas que conseguirem navegar pelo cenário regulatório brasileiro e expandir suas operações para mercados emergentes regulamentados.
Considerações finais: Um ano de transição e oportunidades
Embora 2025 tenha começado com ajustes de mercado, a indústria de iGaming no Brasil continua sendo uma das mais promissoras do mundo. Os desafios regulatórios podem ter desacelerado o crescimento temporariamente, mas a perspectiva de longo prazo é positiva.
Para os operadores, o segredo do sucesso em 2025 será:
- Adaptar-se rapidamente aos desafios de conformidade
- Alinhar estratégias de marketing com a construção de confiança
- Capitalizar nas tendências sazonais de apostas no Brasil
- Aproveitar parcerias com clubes de futebol para fortalecer a credibilidade da marca
- Otimizar o cadastro e os pagamentos para maximizar a retenção de jogadores
O futuro do mercado de iGaming no Brasil ainda está sendo escrito. Operadores que evoluírem com a regulamentação—e não contra ela—serão os grandes vencedores.